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Golpistas usam chamadas silenciosas para clonar vozes e aplicar fraudes no Brasil

Por Geovany Calegátio, ContilNet

As chamadas que tocam e caem em silêncio — conhecidas como ligações mudas — deixaram de ser apenas incômodo e passaram a ser um possível vetor para golpes mais sofisticados, como a clonagem de voz por inteligência artificial. A informação foi tema de reportagem do Jornal da Band e vem sendo objeto de alertas de autoridades e especialistas.

O método é simples na execução, mas perigoso em consequência: discadores automáticos (robocalls) e empresas de telemarketing utilizam chamadas silenciosas para checar quais números estão ativos. Essas listas de números atendidos têm mercado na internet e chegam a ser vendidas na Dark Web por valores superiores aos de listas com números desativados — porque valem mais para golpistas.

Ligações silenciosas podem identificar números ativos e alimentar bancos de dados de criminosos/Foto: Reprodução

Pesquisadores e policiais apontam outro uso malicioso desse tipo de chamada: quando a pessoa responde falando sozinha, aqueles poucos segundos de voz podem ser suficientes para alimentar ferramentas de clonagem. Com uma amostra curta — às vezes apenas alguns segundos — sistemas de IA conseguem sintetizar timbres bastante convincentes, que criminosos usam para se passar por parentes em pedidos de dinheiro via Pix ou transferência. A Polícia Civil de São Paulo já emitiu alertas sobre a possibilidade desse tipo de fraude.

Autoridades e empresas de segurança recomendam medidas práticas para reduzir os riscos: evitar atender chamadas de números desconhecidos; não responder perguntas se houver silêncio do outro lado; encerrar a ligação na dúvida; e confirmar qualquer pedido de dinheiro por outro canal seguro (por exemplo, vídeo chamada, ligação para número que você sabe ser verdadeiro ou contato presencial). Também é aconselhável registrar ocorrências à delegacia em caso de tentativa de golpe.

Para empresas e órgãos que fazem telemarketing legítimo, a recomendação é rever práticas de discagem e identificar-se sempre que houver atendimento humano; para usuários, vale ativar filtros de chamadas indesejadas oferecidos por operadoras e manter apps de segurança atualizados. Reguladores e provedores estão atentos, mas a tecnologia corre rápido — por isso, a prevenção individual continua sendo a defesa mais imediata.

 

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