O governo do Acre, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapac), realizou nesta segunda-feira (20), em Rio Branco, a Oficina em TEA (Transtorno do Espectro Autista), como parte do Programa Mentes Azuis. O evento ocorreu na Escola Técnica Maria Moreira da Rocha, reunindo mães e avós atípicas, gestores públicos e representantes de secretarias estaduais.

O lançamento do projeto aconteceu na manhã desta segunda-feira (20)/Foto: Reprodução
O encontro marcou o início da Caravana do TEA, iniciativa que, segundo a coordenadora do projeto, Zenilda Leão, vai percorrer os 22 municípios do estado com ações de formação e manejo de comportamento.
“A Caravana do TEA vai percorrer os 22 municípios do Acre com uma formação específica de manejo de comportamento para as mães atípicas, profissionais da educação, da saúde e da assistência social, para que as crianças com transtorno do espectro autista, TDH ou TOD tenham o cuidado qualificado da família, da escola e dos espaços de convivência”, explicou Zenilda.

A coordenadora garante que o projeto passará pelos 22 municípios do Estado/Foto: ContilNet
O Programa Mentes Azuis tem foco no acolhimento, formação e empreendedorismo das mães atípicas. De acordo com o presidente da Fapac, Moisés Diniz, a proposta é inédita no país.
“A Fapac criou o Programa Mentes Azuis com três pés: a pesquisa sobre o mundo autista feita pelas próprias mães atípicas, a educação continuada para mães e profissionais da educação especial e o empreendedorismo atípico. É um programa único no Brasil, e já recebemos pedidos de outros estados para replicar essa experiência”, afirmou. “A Secretaria de Educação foi essencial, oferecendo transporte, espaço e estrutura para que o programa pudesse alcançar as famílias em todos os municípios”, completou.

Moises Diniz enfatizou que o programa só é possível graças a parceria com a secretaria de educação/Foto: ContilNet
A iniciativa é resultado de uma ação conjunta entre a Fapac, a Secretaria de Estado de Educação e a Secretaria de Saúde. O secretário de Educação, Aberson Carvalho, destacou o papel das escolas no acolhimento de estudantes com transtornos e deficiências.
“Temos uma grande preocupação com o transtorno do espectro autista. A Secretaria de Educação, por meio do Centro de Referência de Educação Especial, garante acolhimento e projetos de vida direcionados a cada aluno. Precisamos olhar cada um na sua particularidade. O Acre é hoje o estado com o maior índice de alunos diagnosticados com alguma deficiência ou transtorno, resultado de investimentos no Naas, Cas, Cap, Dom Bosco e outras unidades escolares”, disse.
A vice-governadora do Estado, Mailza Assis, destacou o papel das mães e o compromisso do governo em buscar soluções efetivas.

A vice-governadora destacou a importância da atenção especial para crianças com deficiências invisíveis, em especial o TEA/Foto: ContilNet
“Esta é uma realização importante, em conjunto com as secretarias da Fapac, Educação e Saúde, para buscar saídas e soluções. A Caravana vai percorrer todo o estado, conversando com as mães e profissionais, para melhorar a forma de atendimento e o convívio com as crianças”, afirmou.
“Há também um olhar especial para as mães que têm diagnóstico de autismo. Muitas receberam esse diagnóstico tardiamente, e o Estado busca facilitar o acesso ao tratamento e agilizar os diagnósticos, trazendo tranquilidade para essas famílias”, completou.
Entre as participantes da oficina estavam mães e avós atípicas que atuam como bolsistas do programa. Alessandra Gomes, mãe de duas meninas com autismo e diagnosticada dentro do espectro, contou como o projeto tem impactado sua rotina.
“Sou mãe atípica e também autista. Sou bolsista do Mentes Azuis há cinco meses, e estou aprendendo muito. O mais legal é o contato com outras mães, conhecer suas realidades e poder oferecer apoio. Muitas vezes elas não têm suporte familiar, e o projeto mostra que não estão sozinhas”, relatou.

Alessandra afirma que a iniciativa é importante para que ela se entenda melhor e assim consiga ajudar o filho/Foto: Emely Azevedo/Portal Acre
Maria Erundina, avó atípica e também bolsista, destacou o aprendizado coletivo entre as participantes.
“Nós formamos uma corrente de mães e avós atípicas. Quando uma descobre um benefício, compartilha com as outras. Assim, trocamos conhecimento e levamos informação a quem não pôde participar presencialmente. É uma parceria que gera aprendizado e apoio mútuo”, afirmou.
O Programa Mentes Azuis segue com atividades previstas em todos os municípios do Acre, oferecendo formações e apoio a famílias atípicas, profissionais da rede pública e agentes de assistência social. A proposta, segundo os organizadores, é fortalecer o cuidado integral com as pessoas com transtornos do neurodesenvolvimento e suas famílias, promovendo inclusão, conhecimento e autonomia.
