O Parlamento da Grécia aprovou, nesta quinta-feira (16), uma reforma trabalhista polêmica que permite, sob determinadas condições, jornadas de até 13 horas diárias.
A medida foi aprovada em meio a fortes protestos e greves gerais convocadas por sindicatos e organizações trabalhistas em várias cidades do país.
O projeto foi proposto pelo governo conservador, que possui maioria parlamentar, e enfrentou dura resistência de partidos de oposição, especialmente do Syriza, legenda de esquerda que chamou a proposta de “monstruosidade legislativa” e se recusou a participar da votação.
Manifestação contra proposta de 13 horas de trabalho na Grécia. — Foto: AFP
⚖️ O que muda com a nova lei
De acordo com o governo grego, a nova norma não torna o regime obrigatório, mas cria a possibilidade de jornadas estendidas em casos excepcionais, limitadas a 37 dias por ano — pouco mais de um mês.
A regra valerá somente para o setor privado e dependerá de acordo entre empresa e empregado.
Mesmo assim, sindicatos e centrais trabalhistas criticam a proposta, afirmando que ela abre brechas para abusos e ameaças de demissão contra quem se recusar a cumprir o horário ampliado.
“Trata-se de um retrocesso histórico. Essa lei é digna da Idade Média”, declarou o porta-voz do Syriza, durante as manifestações em Atenas.
🕐 Carga de trabalho já é uma das maiores da Europa
A Grécia já figura entre os países europeus com maior carga semanal de trabalho, com média de 39,8 horas semanais, segundo dados da Eurostat.
O índice é quatro horas acima da média europeia, que é de 35,8 horas por semana.
Mesmo após as reformas econômicas e trabalhistas impostas durante a crise da dívida grega, os sindicatos alertam que a nova lei pode agravar o desgaste físico e mental dos trabalhadores, além de aumentar a informalidade.
Fonte: Agência Eurostat, Reuters e imprensa grega e CBN
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