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Infectologista do Acre alerta para surto de intoxicação por metanol: ‘Perigo pode estar no copo’

Por Dry Alves, ContilNet

O Brasil vive, neste momento, um cenário de alerta em saúde pública. Segundo o médico infectologista Thor Dantas, as autoridades já registram casos de intoxicação por metanol em diversos estados, configurando o que ele define como “um surto nacional”. Em entrevista concedida ao ContilNet, o especialista expôs os riscos da adulteração de bebidas alcoólicas e orientou a população sobre cuidados essenciais para evitar intoxicação.

Em sua avaliação, Dantas reforça que bebidas produzidas em fábricas que seguem normas técnicas e sanitárias adequadas dificilmente estariam contaminadas/Foto: Cedida

O Ministério da Saúde confirmou 225 registros de intoxicação por metanol após ingestão de bebida alcoólica. São Paulo responde pela maioria das notificações, com 14 casos confirmados e 178 em investigação. No Acre, nenhum caso foi registrado.

“Surto nacional” e origem ainda obscura

“Acho que o cenário é que a gente está num momento realmente com um surto nacional de intoxicação por metanol e os casos têm sido identificados em vários estados do Brasil. Então não é restrito a um a um local só. Ainda não está claro a fonte da contaminação, se é um fabricante específico, se são vários fabricantes. Mas isso é claramente associado à fabricação clandestina de bebida alcoólica, principalmente bebida destilada, mas também eventualmente bebida fermentada. Mas o principal é a fonte: ou seja, são produtores clandestinos de bebidas”, afirma.

Em sua avaliação, Dantas reforça que bebidas produzidas em fábricas que seguem normas técnicas e sanitárias adequadas dificilmente estariam contaminadas.

“Bebidas provenientes de uma fábrica que segue os padrões de qualidade e normas estabelecidos dificilmente vai poder ter alguma contaminação como essa. Eu diria que não ocorre em destilarias e em fábricas de bebidas que seguem as normas. Bebidas de fabricação conhecida, de marcas conhecidas que estão há muito tempo no mercado, não trazem risco nesse momento”.

Entretanto, o profissional reforça que o problema reside nas bebidas consumidas em festas e ambientes informais, cujo conteúdo é muitas vezes desconhecido.

“Mas o grande problema é que muitas vezes as pessoas ingerem bebidas nas festas que não sabem o que está ali dentro. Então não sabe no drink feito na festa foi com uma vodka, com gin, com uma cachaça ou com whisky, é de procedência conhecida ou não”, destaca.

Orientações de risco: saiba como proteger-se

Diante da situação, o infectologista foi enfático ao recomendar que “nesse momento é muito bom que as pessoas evitem o consumo de bebidas que elas não sabem o que têm dentro, principalmente os drinques. Então evitem consumir drinques em bares, em festas que você não sabe quem fez ou o que o produto colocou dentro”, orienta.

Ele ressalta ainda que se alguém quiser evitar o consumo de bebida é sempre saudável, mas aquelas pessoas que querem fazer uso eventual de bebida, evite completamente ingerir bebidas já feitas de drinques feitos com destilados que já vem pronto e você não sabe que bebida foi colocado dentro.

Outra advertência importante que Thor aponta é quanto à falsificação de bebidas engarrafadas.

“Também é possível que as pessoas adquiram bebidas já engarrafadas e que sejam falsificadas. Então, fontes, às vezes, comprando em mercados, enfim, bebidas que possam ter aparência de ser de uma marca conhecida, mas que na verdade são falsificadas. Uma das dicas é suspeitar de bebidas muito baratas. Então, se tem uma bebida lá que você conhece, mas ela está sendo oferecida num preço muito abaixo, muito mais barato do que o normal, suspeite que essa bebida pode ser falsificada, que ela não seja verdadeira”.

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