Nesta quinta-feira (9/10), a Justiça dos Estados Unidos decidiu encerrar o processo movido pelo rapper Drake contra a gravadora Universal Music Group, no qual ele alegava difamação em razão da letra da música “Not Like Us”, de Kendrick Lamar.
Drake sustentava que o verso o acusava de pedofilia e ainda que a gravadora teria inflado os dados de audiência da faixa. Em resposta, a Universal classificou as acusações como “ofensivas e falsas” e afirmou adotar práticas éticas em suas campanhas de marketing, ressaltando que “insultos hiperbólicos” fazem parte do universo das diss tracks.
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A juíza Jeannette Vargas, responsável pelo caso, considerou as alegações “não acionáveis”. Em sua decisão, ela afirmou que o contexto da disputa entre os dois artistas e a linguagem agressiva típica de diss tracks tornaria improvável que o ouvinte razoável interpretasse os versos como afirmações factuais. Segundo ela, embora a acusação de pedofilia seja “certamente séria”, o conjunto da obra se insere numa “batalha de rap” e não num discurso jornalístico ou literal.
A rivalidade entre Drake e Kendrick Lamar se estende há anos e ganhou força em 2023, quando Lamar reagiu a citações feitas por Drake que o incluíam entre os “três grandes” de sua geração. Desde então, ambos mantêm trocas intensas de farpas e diss tracks, envolvendo acusações pessoais e ataques mútuos nas letras, Lamar chegou a sugerir que Drake renegava a paternidade de uma filha, enquanto Drake rebatia com acusações de traição e agressão.
Com a decisão judicial, o caso é considerado encerrado, sem que a acusação de Drake prossiga. Para a Justiça dos EUA, a linha entre expressão artística provocativa e difamação foi determinante para arquivar a ação.

