Licença da Foz do Amazonas foi concedida após três audiências públicas

Por Metrópoles 20/10/2025

O processo para a emissão da licença que permite a Petrobras fazer perfuração exploratória de petróleo na Foz do Rio Amazonas teve apenas três audiências públicas. O procedimento que resultou na concessão do documento pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) nesta segunda-feira (20/10) foi iniciado em 2014.

As audiências públicas são reuniões em que os projetos com significativo impacto ambiental são apresentados e discutidos pela sociedade. Embora a opinião da comunidade que pode ser impactada pelo empreendimento não tenha o poder de mudar os rumos da iniciativa, os encontros são importantes para aperfeiçoar as propostas.

A informação sobre a quantidade de audiências consta em uma nota emitida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). O texto diz que a concessão exploratória foi feita após “um rigoroso processo de análise ambiental por parte do Ibama”.

Ao longo da nota emitida nesta segunda, o ministério detalha que o processo cumpriu a exigência da elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (Rima), bem como a realização de três audiências públicas, 65 reuniões técnicas setoriais em mais de 20 municípios dos estados do Pará e do Amapá e vistorias de análise na unidade marítima de perfuração, além de uma Avaliação Pré-Operacional (APO).

Foz do Amazonas5 imagensFoz do Rio AmazonasPlataforma flutuante Peregrino, operada pela Equinor e pela petrolífera Prio, no campo de mesmo nome na Bacia de Campos, no Rio de JaneiroGettyImages 1225997166Reservas de petróleo no Brasil têm aumento recorde em 2023, revela ANPFechar modal.logo metropoles brancaFoz do Amazonas1 de 5

Local escolhido para exploração está a 175 km da costa do Oiapoque

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“O Ibama exigiu aprimoramentos indispensáveis ao projeto, sobretudo nas medidas de resposta a emergências. Entre os aperfeiçoamentos implementados, destacam-se: a construção e operacionalização de um novo Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD) de grande porte em Oiapoque (AP), que se soma ao já existente em Belém (PA); a inclusão de três embarcações offshore dedicadas ao atendimento de fauna oleada e quatro embarcações nearshore; além de outros recursos estratégicos para resposta rápida a incidentes”, pontua o MMA.

Caso pode parar na Justiça

A exploração de petróleo no bloco FZA-M-59, localizado na bacia da Foz do Amazonas, é alvo de críticas de ambientalistas. A preocupação diz respeito a possíveis danos irreversíveis ao meio ambiente. Pesquisas indicam a existência de um recife de corais de quase 10 mil km² na Foz do Amazonas, além da proximidade da área de exploração com terras indígenas no Amapá. Por este motivo, ONGs divulgaram que vão à Justiça para tentar barrar o andamento das pesquisas de exploração de petróleo.

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“A decisão é desastrosa do ponto de vista ambiental, climático e da sociobiodiversidade e, para enfrentá-la, organizações da sociedade civil e movimentos sociais irão à Justiça denunciar as ilegalidades e falhas técnicas do processo de licenciamento, que poderiam tornar a licença nula”, diz comunicado do Observatório do Clima.

Condições

Ao se pronunciar sobre a emissão da licença à Petrobras, o ministério sustenta que o processo exigiu a comprovação do empreendedor a capacidade de resposta a eventuais acidentes, chamados tecnicamente de “emergências”.

“Entre os aperfeiçoamentos implementados, destacam-se: a construção e operacionalização de um novo Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD) de grande porte em Oiapoque (AP), que se soma ao já existente em Belém (PA); a inclusão de três embarcações offshore dedicadas ao atendimento de fauna oleada e quatro embarcações nearshore; além de outros recursos estratégicos para resposta rápida a incidentes”, lista o ministério na nota.

A emissão da licença ambiental veio acompanhada de 28 condições para que a perfuração exploratória possa ser realizada. Estão previstas obrigações como monitoramento do impacto de embarcações sobre a avifauna, a obrigatoriedade da realização de um simulado de vazamento de óleo e o pagamento de R$ 39,6 milhões a título de compensação ambiental.

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