O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), lĂder da bancada governista na CPMI do INSS, apresentou, na sessĂŁo dessa segunda-feira (20/10), dois requerimentos Ă comissĂŁo para que o colegiado encaminhe representaçÔes ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra os empresĂĄrios investigados no esquema conhecido como âGolden Boysâ, grupo acusado de movimentar R$ 714 milhĂ”es em fraudes envolvendo aposentados e pensionistas.
As apuraçÔes da CPMI apontam que o dinheiro foi desviado por meio das associaçÔes Amar Brasil, Master Prev, ANDAPP e AASAP, entidades que se apresentavam como parceiras previdenciĂĄrias, mas operavam como fachadas para descontos irregulares em benefĂcios do INSS.
O primeiro requerimento de Pimenta solicita a prisĂŁo preventiva e a apreensĂŁo dos passaportes de seis investigados. SĂŁo eles:
- Felipe Macedo Gomes
- AmĂ©rico Monte JĂșnior
- Igor Dias Delecrode
- Anderson Cordeiro de Vasconcelos
- Marco AurĂ©lio Gomes JĂșnior
- Mauro Palombo Concilio
Farra no INSS
O escĂąndalo do INSS foi revelado pelo MetrĂłpoles em uma sĂ©rie de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. TrĂȘs meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhĂ”es em um ano, enquanto as associaçÔes respondiam a milhares de processos por fraude nas filiaçÔes de segurados.
As reportagens do MetrĂłpoles levaram Ă abertura de inquĂ©rito pela PolĂcia Federal (PF) e abasteceram as apuraçÔes da Controladoria-Geral da UniĂŁo (CGU). Ao todo, 38 matĂ©rias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem Ă Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23 de abril deste ano e que culminou nas demissĂ”es do presidente do INSS e do ministro da PrevidĂȘncia, Carlos Lupi.
O deputado sustenta que hĂĄ provas de crimes como estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, alĂ©m de indĂcios de tentativa de fuga, jĂĄ que um dos investigados estaria fora do paĂs, nos Estados Unidos.
O segundo requerimento solicita medidas cautelares alternativas, como retenção dos passaportes e proibição de viagem ao exterior, para garantir o andamento das investigaçÔes e a aplicação da lei penal. Os pedidos se baseiam nos artigos 282, 312 e 319 do Código de Processo Penal, que tratam de medidas restritivas em casos de risco à instrução criminal.
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Depoimento em silĂȘncio
Durante a audiĂȘncia da CPMI do INSS, Felipe Macedo Gomes, dirigente da Amar Brasil e apontado como um dos principais articuladores do grupo, compareceu ao colegiado, mas optou por nĂŁo responder Ă s perguntas dos parlamentares.
Ele se amparou em um habeas corpus que lhe garantiu o direito ao silĂȘncio. A defesa argumentou que, por ser investigado, o cliente nĂŁo Ă© obrigado a produzir provas contra si.
Mesmo sem falar, Macedo foi citado em documentos da comissão como responsåvel por quatro entidades que, entre 2022 e 2025, teriam movimentado aproximadamente R$ 700 milhÔes, sendo R$ 300 milhÔes apenas pela Amar Brasil, valores obtidos, segundo a investigação, por meio de descontos ilegais em aposentadorias.
âGrupo usou o governo Bolsonaro como escudo para assaltar o INSSâ
Ao comentar o caso, Paulo Pimenta afirmou que o grupo usou a estrutura do governo Bolsonaro para blindar as fraudes.
âEstamos falando de um grupo que usou o governo Bolsonaro como escudo para assaltar o INSS. Felipe Macedo doou R$ 60 mil Ă campanha de Onyx Lorenzoni, entĂŁo ministro da PrevidĂȘncia. Isso nĂŁo Ă© coincidĂȘncia, Ă© rede de corrupçãoâ, disse o deputado.
O senador Fabiano Contarato (PT-ES) tambĂ©m destacou que a CPMI identificou operaçÔes tĂpicas de lavagem de dinheiro.
âOs âGolden Boysâ criaram empresas e entidades de fachada para desviar recursos pĂșblicos e esconder o destino do dinheiro. Ă uma organização criminosa, e o Congresso nĂŁo vai tolerar impunidadeâ, afirmou.
Risco de fuga
Parlamentares governistas reforçaram o pedido de medidas urgentes. O deputado RogĂ©rio Correia (PT-MG) lembrou que alguns investigados tentaram sair do paĂs nas Ășltimas semanas.
âEsses rapazes enriqueceram com o dinheiro de aposentados e agora querem fugir. NĂŁo sĂŁo vĂtimas, sĂŁo golpistas de colarinho branco que transformaram o INSS em balcĂŁo de negĂłciosâ, declarou.
Jå o deputado Alencar Santana (PT-SP) afirmou que a CPMI tem o dever de impedir a evasão dos investigados e garantir a responsabilização.
âEstamos diante de uma quadrilha bilionĂĄria. Nosso papel Ă© assegurar que o dinheiro pĂșblico seja recuperado e que os envolvidos respondam pelos crimes cometidosâ, disse.
CPMI do INSS
A comissão jå identificou 27 processos relacionados ao mesmo grupo, envolvendo contratos suspeitos, descontos automåticos e empresas ligadas entre si. O relatório parcial deve ser apresentado nas próximas semanas e deve sugerir indiciamentos por estelionato, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa.

