Líder do governo apresenta requerimentos contra os “Golden Boys” por fraude no INSS

Por MetrĂłpoles 21/10/2025

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), lĂ­der da bancada governista na CPMI do INSS, apresentou, na sessĂŁo dessa segunda-feira (20/10), dois requerimentos Ă  comissĂŁo para que o colegiado encaminhe representaçÔes ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra os empresĂĄrios investigados no esquema conhecido como “Golden Boys”, grupo acusado de movimentar R$ 714 milhĂ”es em fraudes envolvendo aposentados e pensionistas.

As apuraçÔes da CPMI apontam que o dinheiro foi desviado por meio das associaçÔes Amar Brasil, Master Prev, ANDAPP e AASAP, entidades que se apresentavam como parceiras previdenciårias, mas operavam como fachadas para descontos irregulares em benefícios do INSS.

O primeiro requerimento de Pimenta solicita a prisĂŁo preventiva e a apreensĂŁo dos passaportes de seis investigados. SĂŁo eles:

  • Felipe Macedo Gomes
  • AmĂ©rico Monte JĂșnior
  • Igor Dias Delecrode
  • Anderson Cordeiro de Vasconcelos
  • Marco AurĂ©lio Gomes JĂșnior
  • Mauro Palombo Concilio

Farra no INSS

O escĂąndalo do INSS foi revelado pelo MetrĂłpoles em uma sĂ©rie de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. TrĂȘs meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhĂ”es em um ano, enquanto as associaçÔes respondiam a milhares de processos por fraude nas filiaçÔes de segurados.

As reportagens do MetrĂłpoles levaram Ă  abertura de inquĂ©rito pela PolĂ­cia Federal (PF) e abasteceram as apuraçÔes da Controladoria-Geral da UniĂŁo (CGU). Ao todo, 38 matĂ©rias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem Ă  Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23 de abril deste ano e que culminou nas demissĂ”es do presidente do INSS e do ministro da PrevidĂȘncia, Carlos Lupi.

O deputado sustenta que hå provas de crimes como estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, além de indícios de tentativa de fuga, jå que um dos investigados estaria fora do país, nos Estados Unidos.

O segundo requerimento solicita medidas cautelares alternativas, como retenção dos passaportes e proibição de viagem ao exterior, para garantir o andamento das investigaçÔes e a aplicação da lei penal. Os pedidos se baseiam nos artigos 282, 312 e 319 do Código de Processo Penal, que tratam de medidas restritivas em casos de risco à instrução criminal.

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Depoimento em silĂȘncio

Durante a audiĂȘncia da CPMI do INSS, Felipe Macedo Gomes, dirigente da Amar Brasil e apontado como um dos principais articuladores do grupo, compareceu ao colegiado, mas optou por nĂŁo responder Ă s perguntas dos parlamentares.

Ele se amparou em um habeas corpus que lhe garantiu o direito ao silĂȘncio. A defesa argumentou que, por ser investigado, o cliente nĂŁo Ă© obrigado a produzir provas contra si.

Mesmo sem falar, Macedo foi citado em documentos da comissão como responsåvel por quatro entidades que, entre 2022 e 2025, teriam movimentado aproximadamente R$ 700 milhÔes, sendo R$ 300 milhÔes apenas pela Amar Brasil, valores obtidos, segundo a investigação, por meio de descontos ilegais em aposentadorias.

“Grupo usou o governo Bolsonaro como escudo para assaltar o INSS”

Ao comentar o caso, Paulo Pimenta afirmou que o grupo usou a estrutura do governo Bolsonaro para blindar as fraudes.

“Estamos falando de um grupo que usou o governo Bolsonaro como escudo para assaltar o INSS. Felipe Macedo doou R$ 60 mil Ă  campanha de Onyx Lorenzoni, entĂŁo ministro da PrevidĂȘncia. Isso nĂŁo Ă© coincidĂȘncia, Ă© rede de corrupção”, disse o deputado.

O senador Fabiano Contarato (PT-ES) também destacou que a CPMI identificou operaçÔes típicas de lavagem de dinheiro.

“Os ‘Golden Boys’ criaram empresas e entidades de fachada para desviar recursos pĂșblicos e esconder o destino do dinheiro. É uma organização criminosa, e o Congresso nĂŁo vai tolerar impunidade”, afirmou.

Risco de fuga

Parlamentares governistas reforçaram o pedido de medidas urgentes. O deputado RogĂ©rio Correia (PT-MG) lembrou que alguns investigados tentaram sair do paĂ­s nas Ășltimas semanas.

“Esses rapazes enriqueceram com o dinheiro de aposentados e agora querem fugir. Não são vítimas, são golpistas de colarinho branco que transformaram o INSS em balcão de negócios”, declarou.

Jå o deputado Alencar Santana (PT-SP) afirmou que a CPMI tem o dever de impedir a evasão dos investigados e garantir a responsabilização.

“Estamos diante de uma quadrilha bilionĂĄria. Nosso papel Ă© assegurar que o dinheiro pĂșblico seja recuperado e que os envolvidos respondam pelos crimes cometidos”, disse.

CPMI do INSS

A comissão jå identificou 27 processos relacionados ao mesmo grupo, envolvendo contratos suspeitos, descontos automåticos e empresas ligadas entre si. O relatório parcial deve ser apresentado nas próximas semanas e deve sugerir indiciamentos por estelionato, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa.

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