O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar neste sábado (25) a continuidade da guerra em Gaza e a resistência internacional em reconhecer a criação de um Estado palestino. A declaração foi feita durante cerimônia em que recebeu o título de doutor “Honoris Causa” em Filosofia e Desenvolvimento Internacional do Sul Global pela Universidade Nacional da Malásia, em Putrajaya, capital administrativa do país.

Lula defendeu o multilateralismo e a reforma de organismos internacionais, como as Nações Unidas/Foto: Ricardo Stuckert
Em discurso, Lula afirmou que a violência contra civis palestinos e a falta de ação global configuram um cenário de injustiça. “As comunidades universitárias em todo o mundo têm elevado suas vozes contra a brutalidade do genocídio em Gaza e contra a inércia moral que impede até hoje que o Estado Palestino seja criado. Quase sempre são os jovens que nos recordam que a paz é o valor mais precioso da humanidade”, declarou.
O presidente também criticou o uso de tarifas comerciais como forma de pressão política. Sem citar nomes, fez referência às medidas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que aumentou em 50% as tarifas sobre produtos brasileiros em agosto. “O aumento de tarifas no comércio entre países não pode ser adotado como mecanismo de coerção internacional. Nações que não se dobram ao colonialismo e à dicotomia da Guerra Fria não se intimidarão diante de ameaças irresponsáveis”, disse.
Lula defendeu o multilateralismo e a reforma de organismos internacionais, como as Nações Unidas (ONU), para garantir maior representatividade às nações em desenvolvimento. “A defesa de uma ordem baseada no diálogo, na diplomacia e na igualdade soberana das nações está no cerne da proposta brasileira de reforma das Nações Unidas. Sem maior representatividade, o Conselho de Segurança seguirá inoperante e incapaz de responder aos desafios do nosso tempo”, afirmou.
No campo econômico, o presidente criticou a concentração de poder nas instituições financeiras internacionais. Segundo ele, é “inaceitável” que os países ricos tenham nove vezes mais poder de voto no Fundo Monetário Internacional (FMI) do que as nações do Sul Global, grupo que reúne países da América Latina, Ásia e África. Lula também apontou o protecionismo e a paralisia da Organização Mundial do Comércio (OMC) como fatores que aprofundam desigualdades.
“É a hora de interromper os mecanismos que sustentam há séculos o financiamento do mundo desenvolvido às custas das economias emergentes. Não podemos vislumbrar um mundo diferente sem questionar um modelo neoliberal que aprofunda desigualdades: 3 mil bilionários ganharam US$6,5 trilhões desde 2015, cifra superior ao PIB nominal atual da Asean e do Brasil somados”, afirmou.
Lula permanece na Malásia até terça-feira (28), quando participará de um encontro com empresários da Malásia e da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). No domingo (26), ele deve se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir soluções sobre as tarifas impostas a produtos brasileiros.
