O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reconheceu, nesta sexta-feira (24/10), ter se expressado de forma equivocada ao comentar sobre o tráfico de drogas durante uma entrevista coletiva de uma agenda em Jacarta, na IndonĂ©sia. A declaração, em que ele afirmou que traficantes seriam “vĂtimas dos usuários”, gerou forte repercussĂŁo polĂtica e levou o chefe do Executivo a se retratar publicamente. “Fiz uma frase mal colocada nesta quinta e quero dizer que meu posicionamento Ă© muito claro contra os traficantes e o crime organizado”, escreveu Lula em seu perfil no X.
O chefe do Executivo acrescentou que “mais importante do que as palavras sĂŁo as ações”, destacando operações recentes de segurança conduzidas por seu governo. “[…] Ă© o caso da maior operação da histĂłria contra o crime organizado, o encaminhamento ao Congresso da PEC da Segurança PĂşblica e os recordes na apreensĂŁo de drogas no paĂs. Continuaremos firmes no enfrentamento ao tráfico de drogas e ao crime organizado”, afirmou o presidente.
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As crĂticas começaram apĂłs Lula comentar, na quinta-feira (23/10), sobre as estratĂ©gias de combate Ă s drogas adotadas por diferentes paĂses. Durante a coletiva, ele afirmou que o enfrentamento ao problema poderia ser mais efetivo ao “combater viciados”. Em seguida, disse que “os usuários sĂŁo responsáveis pelos traficantes, que sĂŁo vĂtimas dos usuários tambĂ©m”.
A fala repercutiu negativamente entre aliados e opositores. Nas redes sociais, polĂticos de direita ironizaram o comentário. O senador Ciro Nogueira (PP/PI) afirmou que “vĂtima Ă© o povo brasileiro”, enquanto o deputado Nikolas Ferreira (PL/MG) ironizou que “no ritmo que vai, daqui há pouco o PCC vira ONG”.
A Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) declarou que Lula quis apenas reforçar a relação de dependência entre consumo e tráfico, mas reconheceu que a frase foi mal formulada. A fala ocorreu em resposta a uma pergunta sobre ações do governo Donald Trump contra embarcações de narcotraficantes no Caribe.
Durante a entrevista, Lula tambĂ©m criticou as operações militares norte-americanas em territĂłrio estrangeiro, afirmando que “se a moda pega, cada um acha que pode invadir o territĂłrio do outro para fazer o que quer”, indagando os jornalistas quanto Ă questĂŁo de respeitar a soberania dos paĂses. O presidente deve se encontrar com Trump no prĂłximo domingo (26/10), na Malásia, durante reuniĂŁo da CĂşpula da ASEAN, onde o tema pode voltar a ser discutido.
Apesar da controvĂ©rsia, o episĂłdio ocorre no mesmo dia em que uma pesquisa da Atlas/Bloomberg mostrou alta na popularidade de Lula, que atingiu seu melhor Ăndice de aprovação desde o inĂcio de 2024.






