Ícone do site ContilNet Notícias

Mãe relata dor e indignação após exclusão do filho autista de atividade escolar em Rio Branco

Por Dry Alves, ContilNet

Lane D’Matos, mãe do pequeno Murilo, de apenas dois anos, ainda tenta lidar com a dor e a indignação após o filho ter sido impedido de participar de uma atividade externa promovida pela Creche Kauã Kennedy dos Santos, em Rio Branco. Segundo Lane, o episódio a desestabilizou emocionalmente, deixando marcas profundas de tristeza e impotência.

Lane encerra seu relato com a voz embargada, ainda tomada pela dor da discriminação/Foto: Reprodução

“Foi uma situação que me desestabilizou, porque eu não consegui tomar atitude ou brigar pelo meu filho, brigar pelo direito dele. Eu fiquei tão desestabilizada que até hoje ainda choro”, desabafou emocionada.

Lane conta que, ao deixar o filho na creche, foi surpreendida ao saber, por um auxiliar, que as crianças iriam a uma sessão de cinema no Via Verde Shopping. Sem ter sido comunicada sobre o passeio externo, ela foi orientada a procurar a direção.

“A primeira pergunta que me fizeram foi se o Murilo tinha laudo. Eu disse que sim. Então me mandaram falar com o diretor. Quando cheguei lá, ele simplesmente disse que as crianças autistas não iriam. Eu fiquei sem reação, esperava pelo menos que me dessem a opção de acompanhá-lo”, contou.

A mãe lembra que outra criança com autismo, ainda menor e acompanhada por cuidadora, também foi impedida de participar. “A outra mãe aceitou de forma tranquila, mas pra mim foi muito difícil. Eu esperava empatia, diálogo, uma alternativa. Em vez disso, me cortaram. Ouvir que ‘as crianças autistas dão mais trabalho’ me feriu profundamente”.

Emocionada, Lane diz que o filho, por ser muito pequeno, ainda não compreende o que aconteceu, mas teme o impacto futuro de atitudes como essa. “Hoje ele é um bebê, eu consigo protegê-lo, mas e quando ele crescer e entender? Quando ele ouvir os coleguinhas comentando sobre o passeio e me perguntar por que ele não pode ir? Essa exclusão dói só de imaginar”.

A mãe ainda relatou que o diretor mencionou a existência de uma “sala especializada” no cinema, com luz e som adaptados, mas disse que o passeio para as crianças autistas ficaria “para outro momento”. “Mas o evento era do Dia das Crianças, já passou. Acho pouco provável que eles se mobilizem para levar só as crianças autistas. Senti que era apenas uma desculpa”, lamentou.

Lane encerra seu relato com a voz embargada, ainda tomada pela dor da discriminação: “Saí da escola sem conseguir falar mais nada. Chorei o dia inteiro, com uma dor de cabeça que não passava. Não era só tristeza, era o sentimento de impotência de ver meu filho ser tratado diferente por algo que não é culpa dele”.

A redação entrou em contato com a escola, mas até o fechamento dessa matéria, a gestão não se manifestou.

Sair da versão mobile