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Medo nas ruas: usar roupa da Adidas pode ser interpretado como ligação com facções

Por Geovany Calegário, ContilNet

As três listras que tornaram a Adidas uma das marcas esportivas mais reconhecidas do mundo ganharam um novo e preocupante significado em Salvador (BA). Em alguns bairros da capital baiana, o uso das peças da marca tem sido interpretado como um possível sinal de ligação com facções criminosas.

De acordo com informações do portal Correio, comerciantes e moradores têm relatado situações de intimidação. Um trabalhador contou ter sido abordado enquanto usava uma camisa com o logotipo da marca.

A expressão “três” faz referência às três listras da Adidas, associadas ao Bonde do Maluco (BDM), facção que atua na região. Já o “dois” seria uma alusão ao Comando Vermelho (CV), grupo rival com presença forte no Nordeste de Amaralina, bairro próximo à Rua Pará.

Casos de ameaças e mortes mostram que até marcas e personagens estão sendo usados como códigos do crime/Foto: Reprodução

O uso de símbolos, cores e até tendências de moda como marcadores de território tem se tornado cada vez mais comum em áreas de conflito entre facções. Casos semelhantes foram registrados em outras localidades da Bahia.

Um jovem foi morto após vestir uma camisa com estampa do Mickey Mouse, associada, segundo a polícia, a um grupo chamado “A Tropa”. Já em escolas, alunos chegaram a abandonar as aulas depois de aderirem à tendência de desenhar três riscos nas sobrancelhas, gesto que também teria sido relacionado ao BDM.

A banalização desses códigos visuais tem levado moradores a redobrar o cuidado com o que vestem, temendo interpretações equivocadas. Especialistas em segurança pública alertam que a associação de elementos da cultura popular com o crime organizado é um reflexo da expansão simbólica dessas facções, que buscam dominar não apenas territórios, mas também identidades culturais.

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