Beatriz Nolasco, moradora do Complexo do Alemão há 15 anos, afirmou que seu sobrinho, Yago Ravel Rodrigues, de 19 anos, foi encontrado decapitado em uma árvore durante a operação mais letal da história do Rio de Janeiro, realizada nesta terça-feira (28), nos complexos do Alemão e da Penha. Segundo Beatriz, o jovem não tinha marcas de tiros no corpo e não possuía envolvimento com atividades criminosas, trabalhando como mototáxi e nunca tendo sido preso.
“[Ele foi] decapitado pelo Bope, Core. Não sei quem fez isso com ele, sendo que meu sobrinho não tinha um tiro no corpo. Apenas arrancaram a cabeça dele e deixaram na mata”, relatou a manicure, visivelmente abalada. A família só descobriu o ocorrido ao reconhecer Yago em vídeos que circulavam nas redes sociais, nos quais a cabeça do rapaz foi colocada em um saco por moradores que tentavam organizar os corpos.

Operação Contenção deixa 119 mortos, incluindo quatro policiais, e é a mais letal da história do Rio/Foto: Agência Brasil
Segundo Beatriz, as autoridades não permitiram que os familiares buscassem os corpos durante a operação. “A gente queria oferecer alguma ajuda, tinha muita gente viva na mata, policiais atirando em moradores. A polícia entrou no Complexo do Alemão para fazer uma chacina”, denunciou.
Enquanto familiares aguardam a identificação dos corpos na sede do Detran, ao lado do IML no Centro do Rio, o clima é de angústia e expectativa. A Defensoria Pública montou estrutura de apoio para acompanhar os familiares, que enfrentam longa espera para realizar os procedimentos de reconhecimento.
O governo do Rio de Janeiro confirmou o balanço oficial da operação, divulgando 119 mortos — sendo 115 suspeitos e quatro policiais. De acordo com as autoridades, 113 suspeitos foram presos e 10 adolescentes apreendidos, além da apreensão de mais de 90 fuzis, rádios comunicadores e toneladas de drogas.
A operação, chamada Contenção, teve como alvo a facção Comando Vermelho (CV). Nove pessoas ficaram feridas — três civis e seis agentes — e houve relatos de troca de tiros intensa, incluindo ataques com drones por criminosos. Testemunhas afirmam que alguns corpos apresentavam marcas de tiros na nuca e facadas, e a quantidade de mortos divulgada pelo governo pode estar subnotificada, segundo comunicadores locais.
