Motorista de app esfaqueado no DF acorda do coma: “Milagre de Deus”

Por MetrĂłpoles 30/10/2025

O motorista de aplicativo que foi brutalmente atacado por um passageiro enquanto fazia uma viagem no Distrito Federal acordou apĂłs trĂȘs dias sedado.  Elias Alves dos Santos Filho (foto em destaque), de 37 anos, estĂĄ internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de CeilĂąndia (HRC), desde domingo (26/10). Ele foi atingido por golpes de canivete na regiĂŁo do pescoço.

De acordo com a esposa do motorista, Synara de Albuquerque Santos, no final da tarde dessa quarta-feira (29/10), a equipe médica iniciou a retirada gradual da sedação.

Foram realizados exames, incluindo uma tomografia de crùnio e uma endoscopia digestiva, que não apresentaram nenhuma alteração. Com a redução da sedação, os tubos foram retirados aos poucos, e o Elias despertou.

Ao MetrĂłpoles, Synara disse que o esposo jĂĄ consegue conversar e se lembra do ataque que sofreu. “Estamos muito felizes com a evolução do seu quadro de saĂșde e sĂł temos a agradecer a Deus por tudo o que Ele tem feito atĂ© aqui. Ele tava muito emocionado e disse que Ă© um milagre de Deus”, contou.

Elias jå planejava deixar o trabalho como motorista de aplicativo. Ele é encarregado geral de construção civil e adotou as corridas como um bico para aumentar a renda da família. Mas estava cansado do serviço e, antes do ataque, a família jå temia pelo risco nas ruas.

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Motorista bateu carro em poste enquanto tentava chegar em hospital

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Motorista de app esfaqueado queria deixar vida de viagens

Material cedido ao Metrópoles Motorista de app esfaqueado no DF acorda do coma: “Milagre de Deus”3 de 3

Motorista de app esfaqueado no pescoço consegue leito de UTI

Material cedido ao MetrĂłpoles

Ataque durante corrida

Elias tinha feito uma viagem para Águas Lindas de Goiås (GO) e recebeu um novo pedido de corrida para a Quadra 201 do Recanto das Emas (DF).

O medo de ser assaltado foi a justificativa que o suspeito, de 41 anos, deu à Polícia Civil para o ataque brutal cometido contra o motorista de aplicativo.

Segundo o relato do autor, o motorista teria alterado o trajeto e um carro passou a seguir o veículo, o que o levou a acreditar que estava sendo levado para uma emboscada. Supostamente tomado pelo medo, o passageiro sacou um canivete e desferiu vårios golpes no pescoço da vítima, que ficou gravemente ferida.

De acordo com a investigação da 15ÂȘ Delegacia de PolĂ­cia (CeilĂąndia Centro), o suspeito havia ingerido bebidas alcoĂłlicas apĂłs uma confraternização familiar. A corrida foi solicitada pelo irmĂŁo do autor, a pedido dele.

A PolĂ­cia Militar do Distrito Federal atendeu Ă  ocorrĂȘncia na via lateral do Hospital Regional de CeilĂąndia (HRC), no Setor M, QNM 28.

Por volta das 2h40 de domingo, policiais militares, em patrulha pela regiĂŁo, encontraram o veĂ­culo acidentado e o motorista ferido. O passageiro fugiu.

Mesmo gravemente ferido, o motorista conseguiu dirigir até o Hospital Regional de Ceilùndia, onde perdeu o controle do veículo e bateu contra um poste em frente à unidade. Ele foi socorrido imediatamente e segue internado em estado grave.

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Fuga de agressor

Após o ataque, o agressor fugiu e se escondeu em uma årea de mata, de onde enviou mensagens de åudio ao irmão confessando o esfaqueamento. Pouco depois, foi resgatado pelo próprio irmão e levado para casa. No dia seguinte, o homem jogou as roupas sujas de sangue no lixo e fugiu novamente. As peças foram localizadas e apreendidas pelos investigadores.

Na tarde de segunda-feira (27/10), o suspeito se apresentou espontaneamente na 15ÂȘ DP, acompanhado de dois advogados. Durante o interrogatĂłrio, admitiu o crime, mas insistiu que agiu por medo, alegando ter “reagido instintivamente” ao suposto risco de assalto.

A ação que resultou na prisĂŁo foi batizada de Operação Percurso Final, em referĂȘncia ao trajeto alterado que motivou a desconfiança do autor e simboliza tambĂ©m o caminho trilhado pela investigação atĂ© sua captura.

Conforme o delegado-chefe João de Ataliba Nogueira Neto, responsåvel pelo caso, a apuração contou com o apoio da empresa de transporte por aplicativo, que forneceu dados da corrida, além de depoimentos de testemunhas. As provas confirmaram a autoria e a dinùmica dos fatos.

O homem, que não possuía antecedentes criminais, foi indiciado por tentativa de homicídio duplamente qualificado — pelo uso de meio cruel e por impossibilitar a defesa da vítima. Ele foi encaminhado à Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP), onde permanece à disposição da Justiça.

 

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