Alguns veículos de imprensa da capital noticiaram que um promotor de Justiça teria se envolvido com a esposa de um prefeito do Acre. De imediato, o Ministério Público do Estado (MPAC) publicou uma nota defendendo a conduta de quem nem foi citado nas matérias (muito menos a localidade onde o fato teria ocorrido), afirmando que as informações divulgadas se tratam de fake news.
“O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) manifesta repúdio à propagação de notícias falsas e ataques dirigidos a um de seus membros nesta quinta-feira, 2 de outubro. Tais práticas representam não apenas uma tentativa de descredibilizar a atuação institucional, mas também uma afronta à independência funcional assegurada pela Constituição Federal”, destaca a nota.
A pergunta que salta é: que competência tem um órgão como o MPAC para afirmar que um conteúdo de foro íntimo — que não envolve ato criminoso ou suspeito — é falso ou verdadeiro? Se o sujeito não identificado não tinha advogado que o defendesse com tanta bravura e veemência, agora o tem.
No fim da nota, o MPAC (firme no seu papel de defesa) ainda manda um recado à imprensa: “Medidas judiciais cabíveis já estão sendo adotadas para a apuração dos fatos e responsabilização dos autores”.
Poucos dias depois, os sites que noticiaram o caso tiveram que apagar as matérias por determinação judicial, sob multa diária de R$ 300.
Tudo isso beira o absurdo, é claro, e fere radicalmente a liberdade de imprensa, mas uma contradição marcante fez com que toda a história ganhasse o contorno que precisava. Quem tem olhos, veja!
Recentemente, após receber uma recomendação do MPAC para não dar à nova maternidade o nome de sua avó, o governador Gladson Cameli disse que não vai seguir a determinação do órgão.
“Por que não mandam tirar de todos, como do Hospital Regional de Brasiléia e o Parque de Exposição em Rio Branco? Se for para fazer isso, começa lá de trás. Mas vai ser o nome da minha avó, sim. Vou manter com toda certeza, porque ela merece. A minha avó saiu dos barrancos do Juruá depois que deu à luz ao meu pai, com um cisto ainda depois, e foi operada, tem toda uma história”, declarou o chefe do Executivo.
Alguém viu por aí alguma nota do órgão ministerial repudiando a fala do governador? Este veículo de imprensa ainda não recebeu… Não há post no Instagram do MPAC defendendo a atuação de seus membros.
O que resta pensar é: o MPAC se mostra um gatinho manhoso com o governador e um leão raivoso com a imprensa.

