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Mulher ganha processo após ter sapatos ridicularizados por colegas

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Mulher ganha processo após ter sapatos ridicularizados por colegas

Roupas, sapatos ou acessórios de grife, por serem itens tradicionalmente duráveis e de qualidade, são desejos comuns a grande parte das pessoas. Apesar disso, existe um estigma social envolvido, já que essas peças, devido aos preços elevados, muitas vezes estão restritas ao público de maior poder aquisitivo. A situação ganhou um exemplo recente com o caso de uma operadora de telemarketing em Minas Gerais, que recebeu uma indenização de R$40 mil após sofrer assédio moral de colegas de trabalho por usar calçados de grandes marcas.

Vem saber mais!

Imagem colorida de pessoa usando tênis brancoMulher usando calçado da marca Sophia Webster em London

Processo e indenização

Após sofrer constrangimentos contínuos, pressão psicológica e brincadeiras de gosto duvidoso, uma operadora de telemarketing de um banco em Belo Horizonte (MG) desenvolveu quadros de depressão e ansiedade. A razão da “chacota” estava no uso recorrente de sapatos de grife, motivo que levou os colegas à chamá-la pelo apelido “dublê de rico”.

Incomodada, a vítima entrou com um processo contra a equipe e empresa, e ganhou respaldo jurídico no caso, com indenização por danos morais, referente ao assédio moral “sofrido de forma sistemática e recorrente”, de acordo com o processo. Do montante de R$40 mil da indenização, R$10 mil foram pelo assédio moral decorrente de apelidos depreciativos, e R$30 mil foram relativos à doença ocupacional desenvolvida pela mulher.

Os colegas de trabalho da atendente de marketing julgavam que o estilo de vida da mulher não combinava com os calçados usados pela mesma

 

Pessoa com tênis da Nike, em Milão

 

Um dos apelidos dado à atendente de telemarketing foi “dublê de rico”

Grifes e o desejo

Segundo a psicóloga Izabelle Santos, o consumo de peças de grife tem diferentes significados, mas tudo depende do contexto social em que a pessoa está inserida. “Para alguns é sinal de status e valorização, para outros motivo de críticas e até de chacota”, reflete a terapeuta.

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O peso negativo incumbido no uso de roupas caras comumente recai sobre a parcela do público cuja renda “não corresponde ao consumo de luxo”, especialmente pelo fato de que que gastar com peças consideradas luxuosas, para muitos, é visto como algo “fútil”.

A mulher reside em Minas Gerais, e além dos sapatos, sofria bullying por andar de táxi

 

Modelo desfilando em tênis do estilista Guido Maria Kretschmer

 

Pessoa com tênis de grife em Los Angeles

Vestuário como uma forma de autoexpressão

Roupa e identidade andam lado a lado. Escolher uma determinada camisa, calça, casaco ou calçado faz parte de uma tentativa de autoexpressão no mundo, por mais inconsciente que essa escolha seja. Não à toa, a depender do ambiente, é comum optar por peças mais despojadas ou mais formais. A construção de um guarda-roupa alinhado com a personalidade de alguém se apoia em como essa pessoa se vê no mundo.

Pessoa utilizando sapatos Christian Louboutin, em Chicago

 

Sapatos da Prada em Miami

Izabelle Santos defende que uma peça representa tanto autoestima, quanto identidade. “Comprar uma peça de luxo pode ser uma forma de recompensa pessoal, funcionando como símbolo de superação ou realização”, reforça.

Na avaliação da psicóloga, o ideal seria o caminho inverso à culpa, entendendo que o desejo é legítimo, mas precisa ser administrado de forma adequada, sem precisar se comprometer financeiramente para isso.

Utilizar um sapato de grife não precisa ser um problema

Aproveitando o tópico, relembre vídeo da coluna sobre a história do Adidas Samba, um dos modelos de tênis queridinhos dos últimos anos.

Assista abaixo:

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