Inaugurado em 20 de setembro de 2002, durante o governo de Jorge Viana, o Museu de Sena Madureira foi criado com o objetivo de preservar a memória, a bravura e a identidade do povo senamadureirense. Duas décadas depois, o espaço que marcou o centenário do município vive um cenário de total abandono.
Localizado ao lado do Instituto Santa Juliana — um dos prédios mais antigos do Acre e que também sofre com o descaso —, o museu encontra-se fechado há anos, tomado pelo mato, infiltrações e rachaduras. A fachada está desgastada e o interior, em ruínas.
As imagens exclusivas foram registradas pelo droneiro e senamadureirense Airton Magalhães, que sobrevoou e também entrou no prédio para mostrar a real situação do espaço. O material foi enviado com exclusividade ao ContilNet e revela o estado preocupante do local, com paredes destruídas, telhado comprometido e o acervo completamente perdido.

O museu era uma dos principais pontos turísticos da cidade/Foto: Reprodução
Na época de sua inauguração, o museu foi um marco nas comemorações dos 100 anos de Sena Madureira. O acervo era composto por peças antigas doadas pelos descendentes dos primeiros moradores, utensílios religiosos cedidos pela Igreja Nossa Senhora de Aparecida e urnas mortuárias indígenas encontradas por arqueólogos na região. As paredes exibiam painéis com a história do município e de personalidades que ajudaram a construir sua trajetória.
Hoje, o que era um centro de cultura e aprendizado se transformou em ruínas. Parte do acervo desapareceu, e o espaço foi usado como depósito em determinados períodos, o que acelerou sua degradação.

No acervo existia urnas mortuárias indígenas encontradas por arqueólogos na região/Foto: Reprodução
Em entrevista ao ContilNet, o ex-governador Jorge Viana, responsável pela criação do museu, lamentou profundamente o abandono do patrimônio.
“É tão triste ver o museu nessa situação. Fizemos aquele museu com tanto amor e carinho. Fico triste vendo os museus do nosso Acre fecharem. Um povo que não valoriza o passado, não vai ser feliz no presente e não terá futuro. É de cortar o coração e lamentável”, declarou.
Airton, que fez as imagens, também expressou sua indignação com o descaso.
“O museu era o orgulho de Sena Madureira. A gente levava os filhos para conhecer a nossa história, e agora só resta o mato e o esquecimento”, concluiu.
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