OpiniĂŁo: “TrĂȘs Graças” estreia com fĂŽlego de novela clĂĄssica e texto afiado de Aguinaldo Silva

Por Portal Leo Dias 21/10/2025

A nova novela das nove da Globo, “TrĂȘs Graças”, estreou nesta segunda-feira (20) com tudo o que o pĂșblico esperava de um texto assinado por Aguinaldo Silva: drama, ironia, crĂ­tica social sem panfleto e o bom e velho tempero do folhetim clĂĄssico. Logo no primeiro capĂ­tulo, a trama mostrou ritmo, identidade e aquela mistura de exagero e realismo que sempre marcaram as grandes novelas do autor.

Um dos momentos mais comentados da estreia foi a cena em que Gerluce (Sophie Charlotte) leva a filha JoĂ©lly (Alana Cabral) a um posto de saĂșde para fazer um exame de gravidez. Ao chegar, ela se depara com uma sala cheia de meninas e mulheres grĂĄvidas — e lança a pergunta que dominou as redes sociais: “Agora me diz: cĂȘ tĂĄ vendo algum homem com elas?”.

A fala virou viral instantaneamente como exemplo de crĂ­tica social feita com naturalidade, sem precisar de discursos ou explicaçÔes. É o tipo de texto que confia no espectador — e que mostra Aguinaldo em plena forma.

“TrĂȘs Graças” Ă© a celebração do retorno do dramalhĂŁo clĂĄssico, com fotografia elegante, zooms dramĂĄticos, e uma direção que resgata o olhar artesanal da teledramaturgia da Globo. AtĂ© os movimentos de cĂąmera foram um charme Ă  parte.

No elenco, Sophie Charlotte teve uma estreia firme, com entrega emocional e nuances de naturalismo que prendem o olhar. Grazi Massafera tambĂ©m agradou, construindo uma vilĂŁ de presença marcante, sofisticada e com aquele ar de glamour e perigo que o pĂșblico adora. A quĂ­mica entre Grazi e Murilo BenĂ­cio foi elogiada — mas o sotaque do ator, nĂŁo.

Embora Murilo seja um dos grandes nomes do elenco e demonstre entrosamento evidente com Grazi, o sotaque forçado acabou destoando em alguns momentos. Em certas cenas, chega a dificultar a compreensão do diålogo. Nada que um ajuste de ritmo e modulação não resolva nas próximas semanas, mas foi algo que chamou atenção logo de cara.

De resto, o texto fluiu com força, equilibrando emoção e crĂ­tica, e mostrando que Ă© possĂ­vel tratar de temas sociais sem perder o sabor da ficção. A trilha sonora — com pagode, samba e ritmos populares — tambĂ©m foi destaque, ajudando a compor o retrato contemporĂąneo da trama.

No saldo final, “TrĂȘs Graças” estreou com alma de novela — e isso jĂĄ foi o suficiente para conquistar o pĂșblico. É melodrama, Ă© exagero, Ă© crĂ­tica — e, acima de tudo, Ă© entretenimento. Um primeiro capĂ­tulo promissor que confirma: Aguinaldo Silva voltou em plena forma, e o pĂșblico estava com saudade desse tipo de novela.

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