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Planeta de diamante ou zumbi: conheça mundos curiosos já encontrados

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Planeta de diamante ou zumbi: conheça mundos curiosos já encontrados

O Universo é um mistério para a humanidade e algumas das descobertas que acreditamos serem antigas em relação à astronomia por vezes são mais recentes do que podemos imaginar. Uma delas é a descoberta de planetas fora do Sistema Solar. A primeira comprovação de que eles existiam foi encontrada em 1995 e completou 30 anos este mês.

Desde então, a ciência já encontrou mais de 6 mil exoplanetas, como são chamados os corpos celestes que ficam fora do nosso cantinho da galáxia. “Há pouco mais de 30 anos, não conhecíamos nenhum exoplaneta. Nada. Eles começaram a ser descobertos por diferentes métodos, com diferentes características, e hoje já os contamos aos milhares, sabendo que devem existir, somente em nossa galáxia, centenas de bilhões deles”, explica a astrofísica Glória Delgado, da Universidade Nacional do México (UNAM).

O Sistema Solar em números curiosos

Os exoplanetas são corpos celestes massivos o suficiente para serem redondos e condensar em si um conjunto de moléculas que os permita ser distinguíveis mesmo à distância.

“O primeiro exoplaneta descoberto foi o 51 Pegasi b, um objeto celeste que demonstramos estar orbitando uma estrela e com condições de abrigar vida. Os que conhecíamos anteriormente circulavam pulsares, estrelas mortas que geravam dados incosistentes. Os pesquisadores que o encontraram foram premiados com o Nobel em 2019, tamanho o impacto desse achado no nosso entendimento do universo”, explica a física Ana Freire Ribeiro, de Campinas (SP).

Os planetas podem apresentar uma imensa diversidade de ambientes: desde chuvas de ferro vaporizado e vidro até gigantes gasosos escuros com noite eterna e “nômades” que vagam sozinhos pelo cosmos. Diante da variedade do universo, o Metrópoles pediu para as especialistas selecionarem alguns dos planetas mais curiosos já descobertos. Confira a lista:

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PSR B1257+12b – O planeta zumbi

Foi o primeiro exoplaneta que os cientistas tiveram evidências, em 1992. É um planeta que orbita um pulsar, uma “estrela zumbi” que é o núcleo morto e super denso de uma estrela que explodiu em supernova. Os astrônomos ficaram surpresos ao encontrar planetas orbitando o cadáver estelar, já que a explosão deveria ter destruído qualquer mundo próximo.

Não se sabe como ele sobreviveu, mas o PSR B1257+12b e seus irmãos continuam orbitando a estrela morta, sendo consumidos lentamente por sua intensa radiação mortal, o que o torna completamente inabitável para seres humanos ou qualquer forma de vida conhecida.

WASP-76b – Onde chove ferro fundido

O astro não gira ao redor do próprio eixo, com um lado sempre voltado para sua estrela, onde as temperaturas chegam a 2,5 mil graus celcius, vaporizando metais. Ventos fortíssimos carregam o vapor de ferro para o lado noturno, 1.000°C mais frio, onde o metal condensa e cai do céu como uma chuva do material fundido.

HD 189773b – A tempestade de vidro

À primeira vista, o planeta parece ser um mundo azul semelhante à Terra. No entanto, sua cor vem de partículas de silicato na atmosfera, que se fundem em cristais de vidro devido às temperaturas altíssimas de cerca de 1, mil graus celcius. Ventos de 8,7 mil km/h sopram os estilhaços cortantes horizontalmente em uma chuva mortal e constante. Mais um que, aparentemente, não vale a visita.

TrES-2b – O planeta da noite eterna

Conhecido como o planeta mais escuro já descoberto, o TrES-2b absorve mais de 99% da luz visível que o atinge. O gigante gasoso mais escuro que carvão é um planeta de escuridão absoluta, onde a noite é eterna, possivelmente devido à falta de nuvens refletoras e a gases peculiares em sua atmosfera.

Semelhante ao nosso vizinho Júpiter, ele está muito próximo à estrela que orbita, alcançando temperaturas de mais de mil graus. Em Júpiter, se estima uma média de -145°C na superfície.

TOI-3757 b – O mundo de algodão doce

O gigante gasoso é ligeiramente maior que Júpiter, mas tem uma densidade incrivelmente baixa, comparável à de um marshmallow ou algodão doce. Os astrônomos ainda não sabem como um planeta tão “fofo” e inchado pode se formar, tornando-o um dos mundos mais misteriosos já catalogados. Ele dá a volta em sua estrela em apenas quatro dias terrestres, um dos anos mais curtos que a ciência conhece.

TOI-1452 b e K2-18 B – As outras Terras

O TOI-1452 b é um exoplaneta cinco vezes mais massivo que a Terra e um forte candidato a “planeta oceânico”, com água em toda sua superfície, o que pode facilitar o aparecimento de formas de vida semelhantes às que conhecemos na Terra. Estima-se que sua temperatura está no intervalo entre 100ºC acima ou abaixo de zero, o que pode permitir a vida.

Já o K2-18 b tem o triplo do tamanho da Terra e também com evidências da existência de água líquida em sua superfície. Observações com o Telescópio Espacial James Webb (JWST) encontraram indícios de sulfeto de dimetila (DMS), um cheiro de alho emitido, no geral, por compostos orgânicos, o que pode ser uma evidência de vida. Porém, além das evidências serem fracas, elas não seriam uma comprovação direta de vida, posto que vulcões emitem também gases semelhantes.

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O TOI-1452 b, como é chamado, é um pouco maior que o planeta habitado por seres humanos. Sua localização, em relação à estrela que orbita, é ideal para a existência de água líquida na superfície.

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Cientistas dizem que o corpo celeste poderia ser um “planeta oceânico”, coberto por uma espessa camada de água. A massa dele é cinco vezes maior que a da Terra

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O TOI-1452 b orbita duas pequenas estrelas de um sistema na constelação Draco, localizada a 100 anos-luz da Terra

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Uma imagem de como seria a superfície do TOI-1452 b

Benoit Gougeon/Universidade de Montreal

55 Cancri e – O planeta de diamante

Com o dobro do tamanho da Terra, os cientistas o descobriram em 2004 e acreditam que, devido à sua composição excepcionalmente rica em carbono e às condições extremas de pressão e temperatura (cerca de 2,7 mil graus celcius), o interior do planeta pode ser composto de diamante.

Apesar de pesquisas recentes colocarem a teoria do diamante em dúvida, o planeta permanece como um fascinante candidato a mundo precioso. Além disso, o corpo celeste é um dos primeiros exoplanetas descobertos orbitando uma estrela similar ao nosso Sol.

HR 5183b – O planeta do “chicote”

Este gigante gasoso, três vezes mais massivo que Júpiter, possui uma órbita incrivelmente excêntrica, semelhante à de um cometa. Ele passa a maior parte de seu longo ano de 74 anos terrestres na parte mais gelada do sistema, para depois mergulhar em direção à sua estrela em uma trajetória extremamente próxima e rápida, ganhando o apelido de “planeta do chicote” por esse movimento tão incomum para um corpo de tamanha grandeza.

Planetas andarilhos – Os nômades do espaço

Diferente de todos os outros, estes planetas não orbitam nenhuma estrela. Eles simplesmente vagam sozinhos pela escuridão do espaço interestelar. São extremamente difíceis de detectar, mas estima-se que existam mais planetas nômades na galáxia do que os ligados a sistemas solares.

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