Ícone do site ContilNet Notícias

Polícia Federal desvenda esquema de fraude em concursos com “mulher fantasma”

Por Geovany Calegário, ContilNet

A Polícia Federal (PF) descobriu um esquema de fraude em concursos públicos que envolvia substituição de candidatos por terceiros, com destaque para a enfermeira Mariana Abreu Andrade Cirilo, de 32 anos, servidora em Alagoas. Mariana, conhecida como a “executora de provas fantasmas”, teria se apresentado em lugar de Anacleide Pereira Feitosa e Sandra Cristina Neves de Queiroz Soares durante as provas do concurso para agente e delegado da Polícia Civil de Pernambuco.

A investigação começou a partir da análise de dados de Laís Giselly Nunes de Araújo, presa na Operação Última Fase, que revelou fotos de dentro da sala de prova e documentos falsificados em nome das candidatas, mas com a foto de Mariana. As imagens mostram que as CNHs falsas foram geradas na véspera da prova, evidenciando a intenção de viabilizar a substituição.

Documentos falsos, gabaritos idênticos e pagamentos suspeitos envolvem mãe e filha/Foto: Reprodução

O modus operandi segue um padrão já conhecido: o fraudador adulterava documentos com a foto de um “substituto”, que comparecia ao local do exame, passava pela fiscalização e respondia às questões em lugar do candidato inscrito. No caso pernambucano, as fotos dos cadernos sugerem que os registros também alimentavam outros integrantes do grupo.

Mariana já havia sido presa em flagrante em abril de 2024, durante prova da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, quando fiscais encontraram um dispositivo eletrônico e celular em sua posse. A conexão com o esquema em Pernambuco foi confirmada por documentos e comunicações na nuvem de Laís, incluindo CNHs falsas e registros de pagamentos. A PF solicitou a prisão preventiva de Mariana, argumentando a reiteração do crime e sua atuação recorrente, aguardando decisão judicial.

Mariana Cirilo é apontada como executora recorrente; Sandra e Mylanne seguem sob investigação/Foto: Reprodução

Outro capítulo do esquema envolve Sandra e sua filha Mylanne Beatriz Neves de Queiroz Soares, ligadas ao Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024 para auditor fiscal do trabalho. A PF identificou gabaritos idênticos entre mãe e filha e outros suspeitos, coincidência considerada estatisticamente impossível de ser natural. A investigação aponta que gabaritos eram fornecidos previamente, com instruções em “palavras-chave”, e replicados no cartão-resposta durante a prova.

Candidatas substituídas, gabaritos idênticos e transações financeiras são alvos da investigação/Foto: Repropdução

Além das provas documentais, a apuração acompanha movimentações financeiras de Sandra e Mylanne. Segundo a PF, pagamentos significativos teriam sido realizados para a contratação de serviços de fraude, incluindo substituição em provas e fornecimento de gabaritos. Empresas de pagamento e terceiros foram utilizados como intermediários, padrão já detectado em outros membros do grupo.

Como medida cautelar, a Justiça Federal impediu Mylanne de assumir o cargo de auditor fiscal do trabalho até a conclusão das investigações. Sandra e Mylanne respondem por fraude em certame, uso de documento falso e participação em organização criminosa, podendo cumprir penas que, somadas, ultrapassem 20 anos de prisão, dependendo do enquadramento final.

Sair da versão mobile