A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (16/10), a sétima fase da Operação Overclean, que investiga uma organização criminosa suspeita de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro. Entre os alvos da nova etapa está um prefeito de um município do interior da Bahia, conforme apurou a coluna.
Ao todo, os investigadores cumprem seis mandados de busca e apreensão, uma medida cautelar de afastamento de agente público do cargo e ordens de sequestro de valores nas cidades de Salvador (BA), Riacho de Santana (BA), Wenceslau Guimarães (BA) e Arraial do Cabo (RJ). As medidas foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Os investigados respondem pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro.
Sexta fase: deputado interceptado em 30 segundos
Na terça-feira (14/10), a PF deflagrou a sexta fase da Overclean, que teve como alvo o deputado federal Dal Barreto (União Brasil-BA). A coluna revelou com exclusividade que o parlamentar foi interceptado pela PF no Aeroporto Internacional de Salvador, em uma ação que durou menos de 30 segundos.
O deputado foi abordado logo após passar pelo raio-x, teve o celular apreendido e foi conduzido a uma sala reservada da PF no próprio terminal.
A ação foi discreta e técnica, passando despercebida pela maioria dos passageiros.
Além do deputado, foram alvo da operação dois aliados políticos dele:
• Ubaldo Neto, que se apresenta como empresário e seria operador financeiro do parlamentar;
• Danilton Oliveira, também empresário, apontado como laranja e responsável por movimentar valores em nome do deputado.
Fraudes e desvios milionários
A Operação Overclean foi iniciada em dezembro de 2024 para apurar um esquema milionário de corrupção envolvendo recursos públicos destinados a municípios por meio de emendas parlamentares.
As investigações revelaram licitações direcionadas, contratos superfaturados e o uso de empresas de fachada para simular concorrência e dissimular a origem dos valores desviados.
Segundo a PF, as fraudes eram sistemáticas e contavam com núcleos político, empresarial e contábil, responsáveis por liberar verbas e operacionalizar a lavagem de dinheiro.
Desde a primeira fase, a Overclean identificou planilhas com mais de 100 nomes e codinomes ligados ao esquema. Entre os investigados estão empresários e políticos baianos, incluindo o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, apontado como articulador político do grupo.
A operação é conduzida pela Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal, sob supervisão do Supremo Tribunal Federal. Os materiais apreendidos nesta sétima fase serão periciados para rastrear o fluxo financeiro dos contratos e identificar novos beneficiários.

