Em política, não há espaço para aventuras solitárias. A capacidade de articulação é o que separa uma candidatura viável de um projeto pessoal fadado ao isolamento. Nenhum nome, por mais popular ou bem-intencionado que seja, se sustenta sem uma base sólida de alianças, diálogo e construção coletiva. Política é, antes de tudo, o exercício de somar, agregar e compreender a pluralidade de forças que compõem o jogo democrático.

Articular não é ceder em princípios, mas compreender que governar exige convergência. É unir forças em torno de um projeto, e não de um nome/Foto: Reprodução. Foto: Reprodução
Uma pré-candidatura, especialmente ao governo de um estado, é o momento em que essa habilidade se revela com mais nitidez. É o tempo de ouvir mais do que falar, de entender as dinâmicas regionais, de reconhecer lideranças locais e respeitar a trajetória de cada grupo político. É nesse período que se testa a capacidade de negociação, de conciliação e de empatia — atributos indispensáveis a quem pretende governar.
Mas no caso das eleições majoritárias — como as de governador e senador —, a articulação precisa ir além das fronteiras locais. O jogo político exige diálogo constante também com as direções nacionais dos partidos e com as principais lideranças políticas do país. Isso porque as decisões estratégicas em um estado podem estar diretamente vinculadas a acordos firmados em outro. Muitas vezes, uma candidatura é limitada ou até mesmo inviabilizada em determinada região por força de composições mais amplas que interessam à sigla em nível nacional.
Por isso, articular nacionalmente é tão importante quanto construir alianças locais. Um bom articulador compreende que a política é uma rede de interdependências: cada movimento regional repercute no tabuleiro nacional. Saber transitar entre esses dois mundos — o local e o nacional — é o que distingue o político que pensa pequeno do estadista que enxerga o conjunto.
Articular não é ceder em princípios, mas compreender que governar exige convergência. É unir forças em torno de um projeto, e não de um nome. Os grandes líderes políticos sempre entenderam que uma candidatura sólida nasce da construção de confiança e da capacidade de representar diferentes segmentos sociais e econômicos.
Em tempos de polarização e discursos inflamados, o bom articulador é aquele que se mantém equilibrado, dialoga com todos e evita o erro da exclusão. O eleitor quer ver maturidade política, quer perceber que por trás de um nome há um projeto coletivo, sustentado por alianças consistentes e não apenas por vaidades individuais.
Portanto, a força de uma pré-candidatura não está apenas nas ideias ou na visibilidade do candidato, mas na sua capacidade de construir pontes — locais e nacionais. Quem dialoga, soma. Quem soma, cresce. E quem cresce, conquista não apenas apoios políticos, mas a confiança do eleitorado — que, no fim das contas, é o maior e mais legítimo aliado de qualquer projeto.
