Médicos e médicas do Programa de Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia da Fundação Hospitalar do Estado do Acre (Fundhacre) divulgaram uma Nota Pública de Solidariedade em apoio à residente Dra. Jhersyka Campos, que vem sendo alvo de ataques e julgamentos nas redes sociais e na imprensa local após a morte de um recém-nascido ocorrida na Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco, no último fim de semana. O grupo manifesta repúdio ao que classificou como “linchamento digital” e ressalta que a médica estava em atividade regular, sob supervisão de um preceptor, conforme determina a legislação da residência médica.

O texto também solicita que eventuais apurações sejam conduzidas apenas por instâncias competentes, como a Comissão de Ética Médica e a COREME, com rigor e isenção/Foto: Reprodução
O texto também solicita que eventuais apurações sejam conduzidas apenas por instâncias competentes, como a Comissão de Ética Médica e a COREME, com rigor e isenção, reafirmando a confiança na conduta ética e profissional da residente. Caso não haja manifestação oficial das instituições responsáveis, os residentes informam que poderão deliberar medidas coletivas, inclusive a paralisação das atividades, em defesa de uma formação médica segura, supervisionada e humanizada.
NOTA PÚBLICA DE SOLIDARIEDADE
Em defesa da residente Dra. Jhersyka Campos e da formação médica responsável
Nós, médicas e médicos residentes do Programa de Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia da Fundação Hospitalar do Estado do Acre Governador Flaviano Melo (PRM-GO/FUNDHACRE), manifestamos integral solidariedade à Dra. Jhersyka Campos diante de ataques, ameaças e julgamentos precipitados decorrentes de publicações nas redes sociais e na imprensa sobre ocorrência registrada na Maternidade Bárbara Heliodora em 24 de outubro de 2025, com evolução clínica do recém-nascido na madrugada de 27 de outubro de 2025.
Reiteramos que a colega estava em atividade regular de residência, sob supervisão de médico preceptor da especialidade, como determina a legislação da Residência Médica, notadamente a Lei nº 6.932/1981 e as normas da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) e é indevido e tecnicamente incorreto qualificá-la como “plantonista” ou “única responsável” pelo desfecho, desconsiderando a natureza pedagógica, supervisionada e multiprofissional do plantão.
Repudiamos também o linchamento digital e a exposição pública de profissionais e pacientes, reafirmando o dever de respeito ao sigilo, de proteção à família e de observância ao devido processo e à presunção de inocência. O Código de Ética Médica, estabelecido na Resolução CFM nº 2.217/2018 assegura ao médico em formação o direito e o dever de atuar com adequada supervisão, em ambiente que priorize a segurança do paciente e a integridade do processo formativo.
Requeremos, ainda, que qualquer procedimento avaliativo dos fatos seja conduzido por instâncias técnicas competentes (COREME, direção técnica, Comissão de Ética Médica), com rigor, isenção e proporcionalidade, resguardando a formação dos residentes e o ambiente pedagógico.
Por fim, reafirmamos a plena confiança na conduta ética, responsável e comprometida da Dra. Jhersyka Campos, profissional zelosa, competente e fiel às normas da Residência Médica. Permaneceremos mobilizados em sua defesa e na defesa de uma residência segura, supervisionada e humanizada.
Caso não haja posicionamento oficial nos termos acima, convocaremos assembleia das(os) residentes para deliberar medidas coletivas, inclusive paralisação das atividades, observadas as vias legais e a manutenção dos atendimentos de urgência e emergência.

