Sociedade civil defende urgĂȘncia de limitar aquecimento global a 1,5°C

Por AgĂȘncia Brasil 17/10/2025


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OrganizaçÔes e movimentos da sociedade civil apresentaram nesta quinta-feira (16) um documento com seis eixos prioritĂĄrios para o sucesso da 30ÂȘ ConferĂȘncia das NaçÔes Unidas sobre Mudança ClimĂĄticas (COP30), que serĂĄ realizada em BelĂ©m em novembro.Sociedade civil defende urgĂȘncia de limitar aquecimento global a 1,5°CSociedade civil defende urgĂȘncia de limitar aquecimento global a 1,5°C

O material é resultado de dois dias de debates durante o evento O Caminho para Belém, em Brasília. As entidades alertam que a humanidade não pode perder mais um ano: é urgente limitar o aquecimento global a 1,5°C.

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O texto pede que a conferĂȘncia entregue resultados consistentes em todos os seus pilares, para aumentar a ambição da ação climĂĄtica e recuperar a confiança na UNFCCC (sigla em inglĂȘs para Convenção-Quadro das NaçÔes Unidas sobre a Mudança do Clima).

“A primeira COP da AmazĂŽnia tem a oportunidade de deter e reverter o desmatamento atĂ© 2030 e ampliar o financiamento climĂĄtico pĂșblico. A conferĂȘncia deve dar uma resposta firme Ă  lacuna de ambição das NDCs”, disse Anna CĂĄrcamo, especialista em polĂ­tica climĂĄtica do Greenpeace Brasil.

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Eixos de ação

O documento propÔe um pacote político e de negociação para orientar os resultados da COP30. Ele estå dividido em seis eixos:

  • Redução das emissĂ”es com equidade: criar mecanismos para que paĂ­ses assumam cortes significativos de gases de efeito estufa ainda nesta dĂ©cada, em linha com a meta de 1,5°C;
  • Transição energĂ©tica justa: definir um calendĂĄrio global de transição para longe dos combustĂ­veis fĂłsseis, conforme previsto na Contribuição Nacional Determinada (NDC, na sigla em inglĂȘs) do Brasil;
  • Mecanismo global para transiçÔes justas: coordenar apoio tĂ©cnico, financeiro e tecnolĂłgico entre paĂ­ses, evitando o aumento das desigualdades;
  • Pacote de adaptação climĂĄtica: concluir o Marco UAE–BelĂ©m para ResiliĂȘncia ClimĂĄtica Global e garantir inclusĂŁo de povos indĂ­genas, quilombolas, comunidades locais e periferias urbanas nas decisĂ”es.
  • Sinergias entre clima e natureza: adotar um plano de ação concreto para eliminar o desmatamento e a degradação florestal atĂ© 2030, que inclua financiamento e conhecimento dos povos tradicionais;
  • Financiamento climĂĄtico ambicioso: construir um Roteiro Baku-BelĂ©m que assegure recursos novos, pĂșblicos e previsĂ­veis dos paĂ­ses desenvolvidos aos paĂ­ses em desenvolvimento.

“NĂŁo hĂĄ resiliĂȘncia possĂ­vel sem previsibilidade no financiamento da adaptação climĂĄtica. Sem uma meta clara, cairemos num abismo jĂĄ no prĂłximo ano”, disse Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa.

Participação e representatividade

O encontro contou com representantes de organizaçÔes internacionais e especialistas como Selwin Hart (ONU), Sonia Guajajara (Ministra dos Povos Indígenas) e os enviados especiais da COP30, incluindo Joaquim Belo, Sineia do Vale, Adnan Amin, Philip Yang, Denise Dora e outros.

A iniciativa foi organizada por Greenpeace, Instituto Clima e Sociedade, Instituto Talanoa, LACLIMA, Observatório do Clima, Plataforma CIPÓ, TNC Brasil, Transforma e WWF-Brasil.

“A sociedade civil articulou seus consensos e mostrou seu espĂ­rito colaborativo, o que deixa um sentimento de otimismo para a ConferĂȘncia de BelĂ©m”, disse AndrĂ© Castro Santos, diretor tĂ©cnico da LACLIMA.

“Esta Ă© uma COP diferente das outras, que ocorre no pior momento da cooperação internacional, mas o fracasso nĂŁo Ă© uma opção”, disse Claudio Angelo, coordenador de polĂ­tica internacional do ObservatĂłrio do Clima.

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