O Supremo Tribunal Federal (STF) formou nesta segunda-feira (20) placar de 8 votos a 1 para derrubar a liminar do ex-ministro LuĂs Roberto Barroso que autorizou enfermeiros e tĂ©cnicos em enfermagem a realizarem abortos que estĂŁo previstos em lei, como casos de estupro, risco Ă saĂșde da gestante e de fetos anencĂ©falos.

A decisĂŁo de Barroso foi proferida na sexta-feira (17), Ășltimo dia do ministro na Corte. No Ășltimo sĂĄbado (18), ele se aposentou antecipadamente.
NotĂcias relacionadas:
- CFM defende proibição de enfermeiros atuarem em abortos legais.
- STF forma maioria contra atuação de enfermeiros em aborto legal.
- Barroso autoriza enfermeiros a auxiliar aborto legal e proĂbe punição.
Após o ministro conceder a autorização, foi iniciada votação no plenårio virtual para decidir se a medida serå referendada.
A maioria dos ministros seguiu voto divergente de Gilmar Mendes. Para o decano do STF, nĂŁo hĂĄ urgĂȘncia no tema para justificar a concessĂŁo de uma liminar (decisĂŁo provisĂłria).
âA questĂŁo submetida Ă apreciação possui inegĂĄvel relevo jurĂdico. Nada obstante, com o devido respeito Ă s posiçÔes em sentido contrĂĄrio, nĂŁo vislumbro, na espĂ©cie, preenchidos os requisitos autorizadores da concessĂŁo de provimento de Ăndole cautelarâ, decidiu o ministro.
O voto de Mendes foi seguido pelos ministros Cristiano Zanin, Flåvio Dino, Nunes Marques, André Mendonça, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
>> Siga o canal da AgĂȘncia Brasil no WhatsApp
Faltam os votos da ministra CĂĄrmen LĂșcia e de Luiz Fux. A votação estĂĄ prevista para terminar na sexta-feira (24).
A decisĂŁo foi proferida em duas açÔes protocoladas por entidades que apontaram precariedade da saĂșde pĂșblica na assistĂȘncia de mulheres que buscam a realização de aborto legal em hospitais pĂșblicos.
Barroso entendeu que enfermeiros e tĂ©cnicos em enfermagem podem atuar na interrupção da gestação. Para o ministro, a atuação deve ser compatĂvel com o nĂvel de formação profissional em relação a casos de aborto medicamentoso na fase inicial da gestação.
Antes de deixar o Supremo, o ministro tambĂ©m votou pela descriminalização do aborto atĂ© a 12ÂȘ semana de gravidez.
ApĂłs o voto, o julgamento foi suspenso por um pedido de destaque feito pelo ministro Gilmar Mendes. NĂŁo hĂĄ data para a retomada do julgamento.
Â

