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Trabalho por aplicativos cresce 25% em dois anos e já emprega 1,7 milhão de brasileiros

Por CBN

O número de brasileiros que trabalham com aplicativos e plataformas digitais cresceu 25% entre 2022 e 2024, com mais 335 mil trabalhadores entrando nesse tipo de atividade. Segundo dados do IBGE, no ano passado, 1,7 milhão de pessoas trabalhavam com serviços como transporte, entrega ou prestação de serviços profissionais — o equivalente a 2% dos ocupados no setor privado.

A pesquisa mostra que a maioria dos plataformizados é homem — cerca de 84% — tem entre 25 e 39 anos e atua por conta própria, sem vínculo empregatício.

Motorista de Uber/Foto: Divulgação

O rendimento médio mensal dos trabalhadores de aplicativo ficou em R$ 2.996, valor 4% maior que o dos não plataformizados. Mas, na prática, eles trabalham mais horas — cerca de 45 por semana, contra 39 dos demais — e ganham menos por hora: R$ 15,40 frente a R$ 16,80.

A informalidade também é mais alta: 71% dos plataformizados não têm registro formal, e só 36% contribuem para a Previdência, bem abaixo da média dos outros trabalhadores, que é de 62%.

A advogada Empresarial e Trabalhista Danielle Gomes ressalta que muitos trabalham em condições precárias por causa da falta de uma legislação específica pro setor.

“A uberização é um fenômeno que tem ganhado cada vez mais força no Brasil, principalmente entre os motoristas de aplicativos, entregadores e profissionais que atuam dentro das plataformas digitais. Todo trabalhador que presta um serviço de forma pessoal, habitual, remunerada, deve ter reconhecido um vínculo empregatício com acesso a direitos básicos, como férias remuneradas, 13º salário, FGTS e horas extras. A ausência de regulamentação específica para o trabalho em plataformas tem deixado esses profissionais sem auxílio jurídico, muitas vezes sem garantias trabalhistas ou segurança mínima.”

Ainda segundo a pesquisa do IBGE, dos trabalhadores que atuam em plataformas digitais, 58% deles fazem transporte de passageiros, 29% trabalham com entregas, e 18% em outros serviços.

Entre os motoristas, 824 mil usam aplicativos, e eles ganham em média R$ 2.766 por mês — R$ 341 a mais que os motoristas tradicionais. Já os motociclistas plataformizados, cerca de 351 mil, também tiveram rendimentos maiores: R$ 2.119, contra R$ 1.653 dos que não usam aplicativos.

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