Elaborada durante o período de 1990 a 2019, a revisão sistemática intitulada Epidemiologia global da doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) e da esteato-hepatite não alcoólica (EHNA) evidenciou que a prevalência global da condição de gordura no fígado é de 30% e está aumentando. Reduzir o número de casos requer adotar estratégias “urgentes e abrangentes”, conforme salientaram os estudiosos.

Na investigação, os pesquisadores destacaram sobre o quadro hepático gorduroso não alcoólico ser “mais comum” na América do Sul/Foto: Reprodução
Na investigação, os pesquisadores destacaram sobre o quadro hepático gorduroso não alcoólico ser “mais comum” na América do Sul. Outro tópico ressaltado no estudo publicado pela Associação Americana para o Estudo de Doenças Hepáticas é que a esteatose hepática — condição popularmente conhecida como gordura no fígado — inicialmente era vista como uma “doença ocidental”.
“Dados da América Latina sugerem que os riscos de desfechos adversos relacionados à DHGNA podem ser parcialmente explicados pelo consumo excessivo de alimentos ricos em açúcar”, relataram na revisão sistemática.
Ponto de vista do médico
Diante dos números, a coluna Claudia Meireles conversou com o médico Rodrigo Rêgo Bastos para saber: por que a gordura no fígado se tornou “comum” na América do Sul, o que inclui o Brasil? De acordo com o hepatologista, a resposta envolve “diversos fatores genéticos, culturais, socioeconômicos e outros.”
Com relação ao tópico cultural, o também gastroenterologista salienta que a América do Sul “sofreu, nas últimas décadas, uma grande influência norte-americana, com aumento de consumo de ultraprocessados, frutose e gordura trans”. “Esses alimentos estão altamente associados ao desenvolvimento de gordura no fígado”, pontua.
O médico detalha a questão socioeconômica, que também “pesa”: “Não é barato ser saudável. Tanto pelos elevados preços de produtos saudáveis, como também pelo precário acesso à informação, atividade física e profissionais de saúde”. Rodrigo argumenta que a esteatose hepática tende a ser um “problema frequente na população menos abastada, que corresponde a maior fatia da América do Sul.”
Segundo o hepatologista, outros fatores que podem justificar a incidência da doença na América do Sul: “Seriam a alta prevalência de diabetes, diretamente relacionada ao risco de desenvolver a esteatose hepática; e a prevalência, ainda alta, de hepatite C, que é uma causa de gordura no fígado não relacionada aos hábitos.”
Tópicos enfatizados pela pesquisa
No estudo, os pesquisadores acentuam: “É importante lembrar que, embora a carga da doença DHGNA esteja aumentando na maioria das regiões, as intervenções para lidar com essa carga crescente (dieta mediterrânea, perda de peso, exercícios e conscientização) podem variar de acordo com a região, exigin políticas e estratégias específicas para cada uma delas.”
Para os estudiosos da revisão sistemática intitulada Epidemiologia global da doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) e da esteato-hepatite não alcoólica (EHNA), a doença de gordura no fígado precisa ser considerada um “problema de saúde global” e merece a atenção da Organização Mundial da Saúde (OMS) para abordar essa crescente questão em todo o mundo.
Metrópoles
