A crise da Hapvida vai muito alĆ©m da queda sem fim do valor das aƧƵes ā e da empresa ā na Bolsa. A operadora, responsĆ”vel por quase 9 milhƵes de vidas, acumula reclamaƧƵes e processos judiciais por conta da qualidade do atendimento e de negativas de tratamentos e serviƧos de saĆŗde.
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No site Reclame Aqui, foram 24.503 queixas registradas nos últimos 12 meses. Boa parte por conta da recusa de exames e procedimentos médicos.
āĆ um aƧougue, um matadouro disfarƧado de hospital, só oferece consulta de 15 minutos e exames. Se for algo sĆ©rio, vocĆŖ morreā, escreveu um consumidor.
HĆ” tambĆ©m muitos relatos de falta de profissionais e de insumos. āMeu pai (um idoso de 73 anos) foi praticamente torturado pela empresa, sendo forƧado a esperar duas horas e meia, com a bexiga cheia e com dor. Depois, teve que ficar se deslocando de um lado para o outro por falta do mĆnimo, sendo que a empresa cobra cerca de R$ 2 mil mensalmente para entregar esse serviƧo. AliĆ”s, nĆ£o entregaram serviƧo nenhum, fomos salvos pelo SUSā, escreveu uma relatou uma clientes de Manaus.
Segundo o Reclame Aqui, a Hapvida demora, mas responde a maioria das queixas. Nos últimos 12 meses, 88, 3% das reclamações foram respondidas, o tempo médio foi de oito dias.
Muitos clientes buscam a via judicial, mas, também, sem sucesso. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) chegou a instaurar um inquérito para investigar a Hapvida por não cumprir decisões judiciais.
A estimativa Ʃ de que tramite mais de R$ 2 bilhƵes em aƧƵes judiciais civis contra a Hapvida. Em novembro de 2024, a Hapvida tinha R$ 869 milhƵes em bloqueios judiciais.
Além disso, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) entrou com uma ação contra a Hapvida por negar internações de urgência e direcionar pacientes ao SUS, pedindo uma indenização de R$ 8,6 milhões por danos morais coletivos.
Queda sem fim
Como mostrou a coluna, no último dia 13 de novembro, a Hapvida registrou uma das maiores quedas da Bolsa de Valores. Despencou 43% em um único dia após a empresa apresentar o balanço do último trimestre.
O tombo histórico, no entanto, ocorreu após uma vertiginosa e constante queda dos valores dos papĆ©is da empresa. O grĆ”fico da variação do valor das aƧƵes da Hapvida parece o tradicional pesadelo da queda sem fim ā com momentos de queda livre e outros de tombo lento após uma sĆ©rie de tropeƧos.
Transformando em nĆŗmeros ā ou em dinheiro ā, o cenĆ”rio parece ainda pior: em quatro anos, 0 valor da empresa, considerada a maior de saĆŗde da AmĆ©rica Latina, despencou de R$ 110 bilhƵes (com a fusĆ£o com a Notre Dame, em 2021) para R$ 8 bilhƵes.
A Hapvida estreou na B3 em 2018. Valia R$ 16 bilhões, a ação custava R$ 260. Hoje, custa R$ 17. O tombo mais recente desencadeou uma série de anÔlises sobre a situação da empresa, mas nenhum parece alcançar uma perda tão grande.
Especialistas apontaram o resultado operacional da empresa como motivo da queda. Medido pelo Ebitda, sigla em inglĆŖs para ālucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizaçãoā, ficou em R$ 746,4 milhƵes, uma queda de 17,6% na mesma base de comparação.
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