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Acre registra queda de quase 30% nos casos de malária e amplia capacitação com novo medicamento

Por Fhagner Soares, ContilNet

O Acre tem registrado avanços expressivos no combate à malária. Dados da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) apontam uma redução de 27% nos casos da doença nos primeiros dez meses de 2025, resultado de ações contínuas de prevenção, diagnóstico e tratamento em todas as regiões do estado.
Nesta segunda-feira (3), como parte das atividades da Semana de Luta contra a Malária nas Américas, a Sesacre promoveu um treinamento técnico para profissionais de saúde de Acrelândia e Rio Branco, com foco na utilização do novo medicamento Tafenoquina, indicado no tratamento da malária vivax.

Durante a capacitação, os profissionais aprenderam a utilizar equipamentos portáteis capazes de realizar exames de G6PD e hemoglobina | Foto: Tiago Araújo/Sesacre

De acordo com Júnior Mota Pinheiro, responsável pelo Programa Estadual da Malária, a iniciativa é um marco importante para o enfrentamento da doença no Acre.

“Até o final do ano, queremos alcançar um número ainda maior de municípios com essas ações. A meta é que, até meados de 2026, o novo medicamento e os aparelhos portáteis estejam disponíveis em todas as unidades de saúde do estado”, afirmou.

Durante a capacitação, os profissionais aprenderam a utilizar equipamentos portáteis capazes de realizar exames de G6PD e hemoglobina, além de testes rápidos que permitem identificar o tipo de infecção e definir o tratamento mais seguro para cada paciente.

A apoiadora técnica de tratamento e eliminação da malária do Ministério da Saúde, Samantha Dantas, destacou a importância do novo protocolo.

“O uso da Tafenoquina representa um avanço porque reduz o tempo de tratamento e aumenta a adesão dos pacientes. Antes, era preciso usar a primaquina por sete dias, após três dias de cloroquina. Agora, com o novo esquema, basta uma dose única de Tafenoquina, junto aos três dias de cloroquina. Isso garante mais eficácia e reduz as chances de abandono”, explicou.

A profissional reforçou ainda que o exame G6PD é obrigatório antes da prescrição do novo medicamento, pois identifica se o paciente tem condições seguras para receber a dose. Caso contrário, outros fármacos continuam disponíveis gratuitamente pelo SUS.

A malária, transmitida pela picada da fêmea do mosquito Anopheles, ainda é um desafio histórico na Amazônia, especialmente em áreas de floresta e clima úmido. Os sintomas mais comuns incluem febre, dor de cabeça, calafrios, fadiga e mal-estar, e o diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações graves.

Para a servidora da saúde Débora Cristina da Silva, o treinamento representa um passo importante para fortalecer a rede pública de atendimento.
“Quanto mais capacitados estivermos, mais eficaz será o combate à doença. Nosso objetivo é eliminar a malária do Acre, e cada aprendizado nos aproxima dessa meta”, destacou.

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