O Brasil ainda convive com mais de 9,1 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler ou escrever, conforme aponta o IBGE. Mas, em Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo, um aposentado decidiu mudar de lado nessa estatística e por um motivo que vai além dos números. Aos 72 anos, Euvaldo João de Oliveira retornou à sala de aula movido pelo desejo de acompanhar melhor o tratamento da esposa, Carmen, diagnosticada com câncer.

A rotina de Euvaldo João de Oliveira aos 72 anos/ Foto: Reprodução
A rotina de Euvaldo João de Oliveira, 72 anos, ganhou um novo capítulo marcado por coragem e afeto. Morador de Santa Bárbara d’Oeste, ele decidiu voltar à escola depois de uma vida inteira sem estudar. O motivo é simples, mas profundamente comovente: aprender a ler e escrever para acompanhar de perto o tratamento da esposa, diagnosticada com câncer de mama.
Há pouco mais de um mês, Euvaldo se matriculou na 1ª série do programa de Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJA). Desde então, encara todos os desafios com a mesma determinação que o levou a tomar a decisão. Todos os dias, ele percorre um trajeto de 45 minutos até a escola para entender receitas, bulas e exames. Cada aula significa um passo a mais na missão de cuidar melhor de quem sempre esteve ao lado dele.

Euvaldo e a sua companheira/ Foto: Reprodução
O início não foi fácil, mas ele garante que já consegue sentir a diferença. Com bom humor, conta que a família até brincou quando soube da escolha, mas o apoiou sem hesitar. “Estou aprendendo devagar, mas vou continuar. Nunca é tarde”, disse, orgulhoso dos primeiros avanços.
Na sala de aula, Euvaldo virou inspiração. Não falta, participa de tudo e ganhou a admiração dos colegas e professores. O gesto, carregado de amor e responsabilidade, ultrapassou os muros da escola e se transformou em exemplo de que recomeçar é sempre possível.
Para ele, aprender a ler não é só sobre entendimentos técnicos. É sobre autonomia, dignidade e cuidado. Cada palavra que decifra representa um jeito novo de amparar a esposa. “Vale a pena. A gente só percebe quando sente falta. Sempre é hora de aprender”, afirma.
A história de Euvaldo mostra, com simplicidade e força, que a educação pode ser ponte, cura e recomeço independentemente da idade.
