Em um tempo em que muitos perdem o contato com suas origens, o aposentado Claudionor Carvalho de Mesquita, de 85 anos, mostra que memória e pertencimento ainda caminham lado a lado. Morador de Rio Branco, ele passou boa parte dos últimos anos dedicado a montar uma árvore genealógica com mais de 800 nomes de familiares — uma jornada que mistura história, pesquisa e emoção.
Com o banner em mãos, o idoso se senta próximo ao túmulo e “conversa” com a avó | Foto: ContilNet
Foram 807 nomes, reunidos a partir de registros antigos, conversas com parentes e documentos guardados. O resultado foi transformado em um banner de grandes proporções, onde estão dispostos os nomes de filhos, netos, bisnetos e tataranetos de uma mesma linhagem familiar.
Tradição e memória no Cemitério São João Batista
Nos últimos dois anos, seu Claudionor criou um hábito que tem tocado o coração de quem o conhece: ele visita regularmente o Cemitério São João Batista, no bairro Floresta, onde está sepultado seu avô.
Seu Claudionor segue firme em seu ritual de amor e memória | Foto: ContilNet
Com o banner em mãos, o idoso se senta próximo ao túmulo e “conversa” com a avó, mostrando os novos nomes adicionados à árvore e contando sobre os familiares que nasceram ou partiram.
O gesto, simples e comovente, acabou se tornando uma tradição familiar e junto de seu filho que o acompanha, Assur Mesquita, já vem se preparando para essa data tão importante que se aproxima.
Memória viva de uma linhagem acreana
Entre as lembranças guardadas por seu Claudionor, estão histórias de gerações que ajudaram a construir a cidade e o próprio bairro onde vive há quase seis décadas. Para ele, registrar essas memórias é também uma forma de preservar a identidade familiar e inspirar os mais jovens.
“Muitos dos que estão ali nem chegaram a se conhecer, mas todos fazem parte da mesma raiz. Quando a gente lembra de quem veio antes, a gente aprende a valorizar a vida”, disse.
Entre fotos e nomes que o tempo quase apagou, seu Claudionor segue firme em seu ritual de amor e memória. No silêncio do cemitério, entre lembranças e raízes, ele mostra que a vida continua em cada descendente e que lembrar também é uma forma de permanecer vivo.
