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Áudio é estopim de expulsão de filiada do PL: “Enfia o cachorro no cu”

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Áudio é estopim de expulsão de filiada do PL: “Enfia o cachorro no cu”

O Partido Liberal (PL) de Rio Claro, no interior de São Paulo, expulsou nesta segunda-feira (3/11) a servidora municipal licenciada Amanda Servidoni (foto em destaque). Em áudios revelados pelo Metrópoles, Amanda negociou emendas parlamentares e pediu “cashback” de um recurso público encaminhado a uma estrada. Novos áudios foram divulgados nas redes sociais e, em um deles, ela criticou um projeto para um hospital veterinário e fala para “enfiar os cachorro [sic] no meio do cu” (ouça abaixo).

O Metrópoles apurou que os primeiros áudios com fortes indícios de corrupção, divulgados no último dia 25, iniciaram o processo que culminou na expulsão de Amanda. Depois, outros áudios começaram a circular em grupos de WhatsApp da cidade e reforçaram a indignação de membros do partido.

Uma das falas, em que a servidora licenciada ataca o projeto de dois vereadores para animais vítimas de maus-tratos, gerou a ira de filiados do PL e reforçou as denúncias. A cúpula municipal do PL se reuniu durante o fim de semana e decidiu pela expulsão da ativista.

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Amanda se apresenta como assessora da secretária estadual de Políticas para a Mulher, Valéria Bolsonaro (PL), embora nunca tenha exercido nenhum cargo vinculado à secretaria ou ao gabinete de deputada estadual na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A parlamentar exercia mandato antes de embarcar no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Em nota, o PL informou que a expulsão ocorreu por infração ao programa do partido e desrespeito à disciplina partidária. O diretório municipal considerou que Amanda “está no epicentro de graves denúncias divulgadas originalmente pela plataforma de notícias Metrópoles e repercutidas em veículos de comunicação de todo o Brasil, bem como nas redes sociais, sobre cobrança de ‘cash back’ para liberação de emendas parlamentares”.

O PL do município havia enviado, na semana passada, um e-mail à executiva estadual em que informa sobre o caso e pergunta quais providências deveriam ser tomadas. Até a manhã desta segunda-feira, o comunicado não havia sido respondido. A reportagem procurou o presidente estadual do partido, Tadeu Candelária, mas não obteve retorno.

A presidente do PL no município, Neia Garcia, foi às redes sociais esclarecer a situação. Ela diz que Amanda nunca procurou a comissão municipal do partido e, inclusive, foi “atacada e retalhada” pela servidora municipal.

“Os filiados em Rio Claro não admitem que essa conduta venha manchar, macular o nosso trabalho do PL de Rio Claro”, diz Neia.

Amanda se filiou ao PL em junho no diretório estadual, na capital paulista. A assinatura da ficha de filiação contou com a presença de Valéria Bolsonaro e do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto.

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Amanda Servidoni e Valéria Bolsonaro

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Campanha de prevenção do projeto Mulheres pela Fé

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Filiação de Amanda Servidoni ao PL, com Valdemar Costa Neto e Valéria Bolsonaro

Reprodução/Redes sociais

Hospital veterinário da discórdia

Os vereadores Adriano La Torre (PP), de Rio Claro, e Luciano Murbach (Republicanos), de Ipeúna, queriam transformar um prédio abandonado, na estrada entre os dois municípios, onde já funcionou uma Fundação Casa, em um hospital veterinário para cachorros abandonados ou vítimas de maus-tratos.

Segundo Murbach, eles foram procurados por Amanda que se dispôs a ajudar para concretizar o plano, projetado no início do ano. No entanto, áudios que circulam em grupos de WhatsApp mostram que na verdade Amanda “menosprezou” o hospital que daria atendimento gratuito, castração e adoção para animais de rua e para famílias de baixa renda da região.

“Fomos procurados pela assessora Amanda Servidone, que se apresentou como representante da deputada estadual Valéria Bolsonaro, pedindo exclusividade para seguir com o projeto — sob a promessa de que ele ganharia força política e se tornaria uma bandeira de fé e compaixão. Confiamos. Acreditamos. E esperamos. Mas o tempo revelou o contrário. Depois de quase um ano, nada foi feito. E, recentemente, um áudio veio à tona, mostrando desprezo pela causa animal e pela população que mais precisa”, disse.

No áudio que o vereador se refere, Amanda critica a destinação do espaço para a causa animal e fala em “enfiar os cachorro [sic] no meio do cu”.

“Usar um espaço desse para causa animal? Enfia os cachorro [sic] no meio do cu, meu, entendeu? Com quem o La Torre conversou isso? Conversou com o Luciano? O La Torre tem que passar para a gente com quem ele conversa porque se não coloca ele nesses negócios aí que não vira”, disse Amanda.

La Torre disse que Valéria teria se comprometido a passar o prédio, que era um imóvel do governo de São Paulo, para o hospital veterinário. Ela também tinha se comprometido a enviar emendas para espaços de assistência social e um deles já está em funcionamento. Em outro áudio, Amanda fala sobre emendas para La Torre. Ao Metrópoles, o vereador disse que se tratava de “espaços família” para assistência social.

“A gente fez várias parcerias com a Valéria. E isso que tá acontecendo aí… Olha, que tristeza”, lamentou La Torre. “É bom pra ficar esclarecido, que realmente esse negócio que vazou, pelo amor de Deus, eu fiquei surpreso com isso”, acrescentou.

O vereador disse que Valéria enviou emendas para Rio Claro que foram usadas em ônibus escolares e ambulância, mas afirmou que nunca foi cobrado para devolver parte dos recursos. “Não compactuo com isso”.

Quem é Amanda Servidoni

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