Belém: movimentos sociais preparam Marcha Mundial pelo Clima na COP30

Por AgĂȘncia Brasil 14/11/2025


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Movimentos sociais e coletivos populares esperam reunir milhares de pessoas nas ruas de Belém, neste såbado (15), para a Marcha Mundial pelo Clima. ebcebc

A manifestação vai reunir integrantes da CĂșpula dos Povos e da COP das Baixadas, e ocorrerĂĄ de forma paralela Ă s atividades e reuniĂ”es da 30ÂȘ ConferĂȘncia das NaçÔes Unidas sobre Mudanças ClimĂĄticas (COP30). A expectativa da organização da CĂșpula dos Povos Ă© que o ato conte com participação de representantes de organizaçÔes de todos os continentes, alĂ©m de uma forte representação das comunidades paraenses.

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Uma carta da CĂșpula dos Povos deverĂĄ ser lançada ao final da marcha, sintetizando uma sĂ©rie de reivindicaçÔes, como demarcação de territĂłrios tradicionais, necessidade de financiamento para uma transição justa rumo a uma economia de baixo carbono e açÔes efetivas para adaptação climĂĄtica mitigação das emissĂ”es dos gases que causam o aquecimento global.

ApĂłs ser realizada, nos Ășltimos anos, em paĂ­ses com sistemas polĂ­ticos nĂŁo democrĂĄticos, a COP30 em BelĂ©m retoma uma presença marcante da sociedade civil. Ao longo dessa semana, por exemplo, uma sĂ©rie de manifestaçÔes vem ocorrendo na cidade. Numa delas, indĂ­genas e ativistas chegaram a entrar em confronto com seguranças na Zona Azul, ĂĄrea oficial de negociaçÔes.

PopulaçÔes extrativistas também marcharam pelas ruas da cidade pedindo reconhecimento de seu papel na proteção das florestas e indígenas Munduruku, que estão sofrendo pressão do garimpo e do agronegócio no coração da AmazÎnia conseguiram se reunir com autoridades brasileiras após uma manifestação na entrada principal da COP30.  


BelĂ©m (PA), 14/11/2025 - IndĂ­genas Munduruku do Baixo TapajĂłs se reĂșnem com autoridades, entre elas o presidente da COP 30, AndrĂ© CorrĂȘa do Lago, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva e a ministra  dos Povos IndĂ­genas, Sonia Guajajaras, no auditĂłrio do Tribunal de Justiça de BelĂ©m.
Foto: TĂąnia RĂȘgo/AgĂȘncia Brasil

BelĂ©m (PA), 14/11/2025 – IndĂ­genas Munduruku do Baixo TapajĂłs se reĂșnem com autoridades, entre elas o presidente da COP 30, AndrĂ© CorrĂȘa do Lago – TĂąnia RĂȘgo/AgĂȘncia Brasil

Na marcha deste sĂĄbado, segundo a organização, lideranças indĂ­genas, amazĂŽnicas, comunitĂĄrias, representantes do poder pĂșblico e da iniciativa privada, organizaçÔes nacionais e estrangeira estarĂŁo nas ruas. Durante o trajeto, estĂŁo programadas atividades culturais como oficinas de estandartes e cartazes, bonecos inflĂĄveis gigantes com personagem do ComitĂȘ COP30 e o Cortejo Visagento, um desfile simbĂłlico da cultura paraense que destaca figuras folclĂłricas como o Curupira, espĂ­rito guardiĂŁo da floresta.

Neste ano, o tema escolhido foi Lutar e Resistir contra os Predadores da Vida Disfarçados de Progresso, em referĂȘncia aos impactos ambientais de catĂĄstrofes climĂĄticas. A concentração da passeata serĂĄ no Mercado SĂŁo BrĂĄs. E o ponto de chegada estĂĄ previsto para a Aldeia AmazĂŽnica.

“Trata-se de um grande momento de vazĂŁo de demandas populares e de poder decisĂłrio global””, define Carol Santos, da diretoria do Engajamundo, organização que integra a Aliança dos Povos pelo Clima e Ă© formada por jovens de todo o paĂ­s que atuam em causas de transformação social.

Para Anais Cordeiro, do ComitĂȘ Chico Mendes, hĂĄ uma grande mobilização de povos indĂ­genas e comunidades tradicionais e perifĂ©ricas para a Marcha Mundial do Clima e para debates e negociaçÔes na COP 30. O ComitĂȘ Chico Mendes tambĂ©m estarĂĄ presente no Espaço Chico Mendes e na Fundação Banco do Brasil, no Campus de Pesquisa do Museu Paraense EmĂ­lio Goeldi, entre os dias 7 e 21.

“Os desafios sĂŁo grandes e a cooperação internacional Ă© determinante na nova governança global”, alerta Lygia Nassar, diretora-adjunta do LaboratĂłrio da Cidade, organização da sociedade civil de BelĂ©m atuante no debate sobre o clima junto Ă s comunidades perifĂ©ricas.

A pressĂŁo das ruas Ă© fundamental para sensibilizar os convidados oficiais, diz Marcos Wesley, do ComitĂȘ COP 30. Um documento do grupo, intitulado Nossa Chance para Adiar o Fim do Mundo, apresenta mais de 30 propostas de diversas comunidades sobre a agenda climĂĄtica. Cerca de cem organizaçÔes ligadas ao comitĂȘ participaram dessa construção coletiva.

A CĂșpula dos Povos ocorre no campus da Universidade Federal do ParĂĄ (UFPA), Ă  beira do Rio GuamĂĄ. O evento começou oficialmente na Ășltima quarta-feira (12), como uma barqueata pelo rio, com a participação de centenas de embarcaçÔes e um grito coletivo por justiça ambiental e climĂĄtica.

A cĂșpula popular segue atĂ© domingo (16), quando serĂĄ encerrada com um balanço geral. O presidente da COP30, embaixador AndrĂ© CorrĂȘa do Lago, Ă© esperado na CĂșpula dos Povos para a reuniĂŁo de encerramento, onde deverĂĄ receber formalmente demandas das entidades, que podem ajudar na pressĂŁo pelas negociaçÔes da conferĂȘncia que se seguirĂŁo pela prĂłxima semana.

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