Durante a audiência de custódia realizada por videoconferência neste domingo (23), Jair Bolsonaro apresentou uma nova versão para o episódio em que tentou interferir na tornozeleira eletrônica. Segundo ele, a ação foi motivada por um momento de “paranoia e alucinação”, que teria sido desencadeado pela combinação de medicamentos prescritos nos últimos dias.
O ex-presidente declarou ao juiz que estava utilizando pregabalina, indicada para dores crônicas e neuropáticas, e sertralina, um antidepressivo usado em casos de depressão e transtornos de ansiedade. De acordo com Bolsonaro, a associação dessas substâncias teria provocado efeitos adversos que alteraram sua percepção da realidade.
Durante o depoimento, Bolsonaro disse ter acreditado que a tornozeleira poderia conter algum tipo de dispositivo de escuta oculta. A suspeita, segundo ele, foi o que o levou a tentar manipular o equipamento na tentativa de verificar seu funcionamento. Ele afirmou ainda que se sentiu tomado por uma sensação repentina de desconfiança e que não teria agido de forma consciente.
O ex-presidente relatou também que utilizou uma ferramenta de solda disponível em sua residência para tentar remover o dispositivo, justificando que possui conhecimentos técnicos suficientes para operar esse tipo de equipamento. As afirmações feitas na audiência agora passam a integrar o processo que apura a violação da tornozeleira eletrônica.
