O Brasil enfrenta um aumento expressivo no número de acidentes com escorpiões, configurando uma “epidemia silenciosa” que preocupa autoridades e especialistas. Entre 2014 e 2023, o país registrou um crescimento de 150% nos casos, tendência que se mantém: somente em 2025, mais de 126 mil ocorrências já foram confirmadas pelo Ministério da Saúde, com 148 mortes. São Paulo lidera o ranking, acumulando cerca de 28 mil notificações.
País registra mais de 126 mil ocorrências e 148 mortes em 2025; em Rio Branco, escorpiões já representam 25,8% dos acidentes com animais peçonhentos/Foto: Reprodução
A expansão dos acidentes não é apenas sazonal, mas estrutural, impulsionada pelo comportamento urbano dos escorpiões, que se adaptam com facilidade a ambientes com lixo, entulhos, restos de materiais de construção e ralos sem vedação. O aumento das temperaturas também contribui para a movimentação desses animais, intensificando os riscos.
Crianças pequenas e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis, pois o veneno age rapidamente em organismos mais frágeis ou de menor porte. Em crianças abaixo de 5 anos, o risco de complicações é ainda maior, especialmente quando há atraso no atendimento. A dor causada pela picada costuma ser intensa e desproporcional à lesão aparente, característica que ajuda a diferenciar o acidente de picadas de insetos comuns.
A orientação dos especialistas é buscar atendimento médico imediato. “Evitar medidas caseiras é fundamental. A rapidez no atendimento faz toda a diferença”, reforça a médica Dayanna Palmer. Não se deve aplicar pomadas, álcool, café, fazer torniquetes ou tentar sugar o veneno. Antes de chegar ao hospital, recomenda-se apenas lavar o local com água e sabão e aplicar compressa fria para aliviar a dor.
Sinais como agitação, tremores, excesso de salivação, taquicardia e dificuldade para respirar exigem socorro urgente, já que o veneno pode atingir o sistema nervoso e comprometer funções vitais.
Além do cenário nacional, dados regionais também chamam atenção. Um estudo que analisou informações de 2023 no município de Rio Branco, capital do Acre, com coleta realizada até outubro de 2024, revelou que os escorpiões foram responsáveis por 25,8% dos acidentes com animais peçonhentos na cidade. O índice reforça a necessidade de ações preventivas e de educação em saúde, especialmente em áreas urbanas onde o animal encontra condições favoráveis para se proliferar.
Para evitar acidentes, recomenda-se manter quintais limpos, eliminar entulhos, vedar ralos, buracos e frestas, evitar roupas de cama encostadas ao chão, e sempre sacudir roupas, toalhas e calçados antes de usar, sobretudo quando ficam no chão ou guardados por longos períodos. Como os escorpiões são animais noturnos, que buscam locais úmidos e escuros, pequenas mudanças no dia a dia são essenciais para afastá-los.
