Ao abrir nesta segunda-feira (24) o seminĂĄrio Democracia: Substantivo Feminino, a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), CĂĄrmen LĂșcia, afirmou que ainda existem questĂ”es pendentes de desigualdade, discriminação e preconceito nesse momento no Brasil em que a violĂȘncia âĂ© gravĂssimaâ contra as mulheres e as crianças, embora a Constituição garanta igualdade de direitos e deveres entre os gĂȘneros.

A ministra destacou que o encontro ocorria na vĂ©spera do Dia Internacional para a Eliminação da ViolĂȘncia Contra as Mulheres, da Organização das NaçÔes Unidas (ONU), comemorado nessa terça-feira (25) e que se estenderĂĄ por 16 dias.
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CĂĄrmen LĂșcia ressaltou que, a despeito de todas as mulheres brasileiras sofrerem todas de formas de violĂȘncia, mesmo que nĂŁo diretamente, historicamente as mulheres negras sĂŁo as maiores vĂtimas. Especialmente aquelas que nĂŁo dispĂ”em de condiçÔes econĂŽmicas, financeiras, que nĂŁo tĂȘm acesso a serviços pĂșblicos, como educação. Desta situação Ă© que marcarem no Brasil os 21 dias de luta para combater a violĂȘncia contra as mulheres, iniciados a partir do Ășltimo dia 20, quando se celebra. Dia da ConsciĂȘncia Negra.
 âO poder Ă© do povo, a mulher Ă© o povo, Ă© a maioria do povo brasileiro. Hoje, nĂłs ouvimos as mulheres da sociedade civil e queremos aprender com elasâ, ressaltou a ministra.Â
A ministra ressaltou que hoje a palavra cabe Ă s mulheres para que ensinem e, acima de tudo, que proponham o que podemos fazer juntas, âporque juntas somos maisâ, pelo bem do Brasil, por uma democracia forte, sem desigualdade e violĂȘncia e, principalmente, para o benefĂcio da sociedade no presente, de modo que possa ser construĂdo um futuro sem desigualdade.
A presidente do TSE lembrou que durante toda a sua vida tem lutado pela igualação, que Ă© uma ação permanente pela igualdade. Embora o Artigo 5Âș da Constituição estabeleça a igualdade entre homens e mulheres, nĂŁo estĂĄ estratificada, nĂŁo estĂĄ formalizada, o que permite que ainda persistam casos de submissĂŁo de todas as formas de iniquidade, agressĂŁo, violĂȘncia. âUma mulher assassinada a cada seis horas no Brasil Ă© nĂŁo civilizatĂłrio mas, mais do que isso, Ă© nĂŁo humanoâ.
A presidente do TSE citou um professor que dizia que nĂŁo temia os animais. Porque, ao contrĂĄrio dos animais, existem humanos que podem negar a prĂłpria essĂȘncia de humanidade e matar uma mulher fisicamente, psicologicamente e Ă s vezes economicamente e continuar existindo como se nada tivesse acontecido. Por isso, estavam ali reunidas com homens democratas tambĂ©m porque ânĂłs nĂŁo queremos uma sociedade sĂł de mulheres, mas de homens e mulheres com direitos iguais, com dignidade respeitada de forma igual, porque o que queremos Ă© todos juntos contribuir para uma sociedade de humanos e humanas iguaisâ.

