Clima pÔe em risco um em cada 12 hospitais no mundo

Por AgĂȘncia Brasil 14/11/2025


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Mais de 540 mil pessoas morrem todos os anos em razão do calor extremo em todo o mundo, enquanto um em cada 12 hospitais corre risco de paralisar suas atividades por causas relacionadas ao clima.Clima pÔe em risco um em cada 12 hospitais no mundoClima pÔe em risco um em cada 12 hospitais no mundo

Os dados fazem parte do relatĂłrio SaĂșde e Mudanças ClimĂĄticas: Implementando o Plano de Ação em SaĂșde de BelĂ©m, divulgado nesta sexta-feira (14) durante a 30ÂȘ ConferĂȘncia das NaçÔes Unidas sobre Mudanças ClimĂĄticas (COP30), em BelĂ©m.

NotĂ­cias relacionadas:

O documento, lançado pelo MinistĂ©rio da SaĂșde em parceria com a Organização Mundial da SaĂșde (OMS), dĂĄ sequĂȘncia ao lançamento do Plano de Ação em SaĂșde de BelĂ©m, primeiro plano internacional de adaptação climĂĄtica dedicado exclusivamente Ă  saĂșde, que jĂĄ conta com adesĂŁo de mais de 80 paĂ­ses e instituiçÔes.

Para o ministro da SaĂșde, Alexandre Padilha, o relatĂłrio comprova que as mudanças climĂĄticas impactam diretamente os sistemas de saĂșde em todo o mundo.

“Mais de 60% da população mundial vive hoje os impactos das mudanças climĂĄticas na sua saĂșde, sejam tragĂ©dias e crises como a que vimos em Rio Bonito do Iguaçu [PR], na semana passada, que destruiu unidades de saĂșde, paralisou o atendimento mĂ©dico, o acompanhamento de gestantes, a vacinação”, alertou.

Ainda segundo o ministro, por 2 dias, houve paralisação do sistema de informação de saĂșde para as pessoas terem acesso a medicamentos e acompanhamento dos seus dados.

Acompanhe a cobertura completa da EBC na COP30 

Desafios

O relatório lançado nesta sexta-feira destaca que entre 3,3 bilhÔes e 3,6 bilhÔes de pessoas vivem atualmente em åreas classificadas como altamente vulneråveis às mudanças climåticas, enquanto os hospitais enfrentam 41% mais risco de danos causados por eventos climåticos extremos do que em 1990.

O documento indica que, sem uma rĂĄpida descarbonização, o nĂșmero de unidades de saĂșde ameaçadas pode dobrar atĂ© meados do sĂ©culo, o que, de acordo com o ministĂ©rio, evidencia a importĂąncia de medidas de adaptação para proteger a infraestrutura de saĂșde.

Os dados mostram que o prĂłprio setor da saĂșde Ă© responsĂĄvel por cerca de 5% das emissĂ”es globais de gases de efeito estufa e precisa acelerar sua transição para sistemas de baixo carbono e resilientes ao clima.

O relatĂłrio aponta ainda que 54% dos planos nacionais de adaptação em saĂșde avaliam riscos Ă s unidades de saĂșde, sendo que menos de 30% dos estudos consideram renda, 20% abordam gĂȘnero e menos de 1% incluem pessoas com deficiĂȘncia.

“Apenas entre 6% e 7% dos US$ 22 bilhĂ”es investidos para o enfrentamento das mudanças climĂĄticas no mundo sĂŁo para adaptação dos sistemas de saĂșde. 

O que a COP30 reforça no Plano de Ação BelĂ©m Ă© que se aumente o investimento internacional para adaptação dos sistemas de saĂșde”, destacou Padilha.

“[Precisamos] Mais financiamento para reconstruirmos as unidades de saĂșde num padrĂŁo que resista Ă s crises climĂĄticas, enchentes e tornados. Mais financiamento para que os paĂ­ses possam ter monitoramento de dados, sistemas de informação que cruzam dados de clima e saĂșde”, defendeu.

O relatĂłrio tambĂ©m mostra que, entre 2015 e 2023, o nĂșmero de paĂ­ses com sistemas nacionais de alerta precoce dobrou para 101, cobrindo dois terços da população mundial. No entanto, apenas 46% dos paĂ­ses menos desenvolvidos e 39% dos pequenos Estados insulares em desenvolvimento contam com sistemas eficazes.

“A mensagem central do relatĂłrio Ă© clara: jĂĄ hĂĄ evidĂȘncias suficientes para agir em larga escala. IntervençÔes eficazes, de baixo custo e alto impacto existem para cada um dos eixos do Plano de Ação em SaĂșde de BelĂ©m”, destacou o MinistĂ©rio da SaĂșde em nota.

Propostas

O documento conclama os governos a:

  •  integrar objetivos de saĂșde Ă s ContribuiçÔes Nacionalmente Determinadas (NDCs) e aos Planos Nacionais de Adaptação (NAPs);
  •  utilizar as economias geradas pela descarbonização para financiar a adaptação em saĂșde e capacitar profissionais;
  •  investir em infraestrutura resiliente, priorizando unidades de saĂșde e serviços essenciais;
  •  empoderar comunidades e o conhecimento local na formulação das respostas que reflitam as realidades vivenciadas.

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