Nesta quinta-feira (13), durante coletiva de imprensa, a coordenadora da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), Cristina Messias, reforçou que o cuidado em saúde mental vai muito além do uso de medicação e do acompanhamento médico. Segundo ela, o atendimento deve ser integrado, humanizado e centrado na ressocialização dos pacientes.
“Na saúde mental, o diagnóstico é apenas uma referência para seguir uma terapêutica medicamentosa com o médico. Mas o cuidado vai muito além disso. Trabalhamos com equipe multiprofissional — assistente social, terapeuta ocupacional, psicólogo, pedagogo — todos voltados para ressocializar o usuário”, explicou Cristina.

A coordenadora destacou o modelo adotado no Juruá, que atua sem hospital psiquiátrico e com rede integrada/Foto: ContilNet
A coordenadora destacou que ninguém deve permanecer internado por longos períodos, e que o tratamento deve priorizar a liberdade e a convivência comunitária. “Ninguém gostou de ficar preso durante a pandemia. Imagine quem vive isso há 30 ou 40 anos por causa de uma crise. Essas pessoas precisam ser cuidadas em liberdade, com acompanhamento da equipe multiprofissional”, afirmou.
LEIA MAIS SOBRE O TEMA: Pedro Pascoal diz que Hosmac só fechará após estruturação da rede estadual; entenda
Cristina citou o exemplo da regional do Juruá, onde o modelo de atenção já segue o formato defendido pela Lei da Reforma Psiquiátrica, sem hospital psiquiátrico e com apoio integrado entre o Hospital do Juruá, o Caps Nauas e a atenção básica. “No Juruá não há hospital psiquiátrico. Os pacientes são acompanhados pela atenção básica, pelo Caps Nauas e pelo hospital geral. Quando estabilizam, voltam para o Caps. Isso já acontece no nosso estado”, disse.

Cristina Messias ressaltou que o cuidado em saúde mental deve ser humanizado e ir além do uso de medicamentos/Fotos: Tiago Araújo/Sesacre
A coordenadora ressaltou que o governo do Acre não fala em fechamento do Hosmac, mas sim em fortalecer a rede de atenção nos municípios. Segundo ela, o Estado estuda, inclusive, possibilidades de cofinanciamento para que as prefeituras assumam e ampliem suas estruturas de atendimento em saúde mental. “O doutor Pedro é um grande apoiador da Raps, e estamos estudando dentro da Sesacre formas de cofinanciamento para que os municípios possam de fato assumir suas redes e garantir que as pessoas sejam cuidadas próximas às suas casas”, afirmou Cristina.
Por fim, Cristina Messias destacou que o cuidado em saúde mental não é responsabilidade exclusiva da área da saúde, e que o tema exige integração entre diferentes setores e políticas públicas. “A saúde sozinha não dá conta desse tema. É uma questão complexa que exige atitudes complexas”, concluiu.
