Direita domina Aleac há décadas e esquerda é mais fiel quando o assunto é troca de partidos

Embora a direita detenha a maioria das cadeiras, seus representantes se mostram significativamente mais propensos a mudar de partido do que os da oposição

Uma análise aprofundada sobre a Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), que abrange três décadas de atividade legislativa (de 1994 a 2022), revela um cenário de consolidação hegemônica da direita no poder, ao mesmo tempo em que aponta maior fidelidade partidária entre parlamentares de esquerda — em contraste com a alta migração observada no centro e na direita.

O estudo, conduzido em parceria entre a Universidade Federal do Acre (Ufac) e o Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Uerj, mapeia as trajetórias ideológicas e a dinâmica das legendas no parlamento acreano.

Direita domina Aleac há décadas e esquerda é mais fiel quando o assunto é troca de partidos/Foto: Reprodução

A pesquisa confirma que a direita tem sido a força dominante na Aleac por cerca de trinta anos. Esse domínio se intensificou com o declínio da influência do PT no Executivo estadual, consolidando um alinhamento predominantemente conservador na Casa do Povo.

“A polarização na Assembleia voltou a cair após 2019 (com o governo Gladson Cameli, do PP), regressando a níveis próximos da década de 1990. Essa redução da polarização não indica o fortalecimento de um centro político, mas sim o encolhimento do polo de esquerda e a consolidação hegemônica da direita na política acreana”, destaca a pesquisa.

Apesar de uma breve oscilação para o centro entre 2007 e 2010, o período analisado é marcado pela predominância de bancadas alinhadas à direita, reforçando a estabilidade do espectro político conservador no Legislativo.

O aspecto mais revelador do estudo Ufac/IESP está na análise da migração partidária — a troca de legenda entre pleitos. Embora a direita detenha a maioria das cadeiras, seus representantes se mostram significativamente mais propensos a mudar de partido do que os da oposição.

  • Esquerda (maior lealdade): apenas 17% dos deputados estaduais de partidos de esquerda que disputaram a reeleição migraram de legenda.

  • Direita (volatilidade intermediária): essa taxa sobe para 40% entre os parlamentares de direita.

  • Centro (maior infidelidade): o grupo mais volátil é o de centro, com 67% dos deputados mudando de partido ao tentar renovar o mandato.

O estudo conclui que, para políticos de centro e direita no Acre, a lealdade à sigla tem menor peso estratégico na busca pela reeleição, enquanto entre os quadros de esquerda há maior aderência e compromisso com a base partidária original.

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