Documentos finais da COP30 fazem menção inédita a afrodescendentes

Por AgĂȘncia Brasil 23/11/2025 Ă s 13:03


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Uma das marcas da 30ÂȘ ConferĂȘncia das NaçÔes Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), encerrada no sĂĄbado (22), em BelĂ©m, Ă© a menção inĂ©dita aos afrodescendentes. Documentos finais da COP30 fazem menção inĂ©dita a afrodescendentesDocumentos finais da COP30 fazem menção inĂ©dita a afrodescendentes

O termo consta em quatro documentos oficiais aprovados no encontro que busca meios para combater o aquecimento global, mitigar e adaptar os impactos sobre o planeta.

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A citação aos afrodescendentes aparece nos documentos Transição Justa, Plano de Ação de GĂȘnero, Objetivo Global de Adaptação e o MutirĂŁo. Todos os textos estĂŁo publicados no site da Convenção-Quadro das NaçÔes Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, da sigla em inglĂȘs), Ăąmbito sob o qual se realizam as reuniĂ”es das ediçÔes da COP.

A inclusĂŁo ocorre apenas dois dias depois do feriado nacional da ConsciĂȘncia Negra, data que marca o reconhecimento ao elemento afrodescendente na identidade brasileira e, tambĂ©m, que reivindica igualdade racial e combate Ă  discriminação.

Transição Energética

O documento Transição EnergĂ©tica cita a importĂąncia de garantir uma participação ampla e significativa “envolvendo todas as partes interessadas relevantes”, e lista trabalhadores afetados pelas transiçÔes, trabalhadores informais, pessoas em situação de vulnerabilidade, povos indĂ­genas, comunidades locais, migrantes e deslocados internos, pessoas de ascendĂȘncia africana, mulheres, crianças, jovens, idosos e pessoas com deficiĂȘncia”.

Em outro ponto ressalta que trajetórias de transição devem respeitar e promover e cumprir os direitos humanos desses grupos.

Adaptação e GĂȘnero

O documento Objetivo Global de Adaptação aponta as contribuiçÔes de crianças, jovens, pessoas com deficiĂȘncia, povos indĂ­genas e comunidades locais, pessoas de ascendĂȘncia africana e migrantes “para a adaptação, bem como a importĂąncia de considerar questĂ”es de gĂȘnero, direitos humanos, equidade intergeracional e justiça social, e de adotar abordagens participativas e totalmente transparentes”.

O texto Plano de Ação de GĂȘnero reconhece a contribuição de mulheres e meninas de ascendĂȘncia africana para a ação climĂĄtica.

MutirĂŁo

O MutirĂŁo, classificado pela presidĂȘncia brasileira da COP30 como um “mĂ©todo contĂ­nuo de mobilização que começa antes, atravessa e segue alĂ©m da COP30”, enfatiza o “importante papel e o engajamento” de grupos que nĂŁo sĂŁo as partes (paĂ­ses signatĂĄrios da UNFCCC). Entre os citados figuram povos indĂ­genas, comunidades locais, pessoas de ascendĂȘncia africana, mulheres, jovens e crianças.

Esses grupos, segundo o texto, apoiam as partes e contribuem para o “significativo progresso coletivo em direção aos objetivos de longo prazo do Acordo de Paris”.

O Acordo de Paris, lançado na COP21, em 2015, reĂșne açÔes globais em resposta Ă  ameaça da mudança climĂĄtica, como a redução das emissĂ”es de gases de efeito estufa.

Avanço maior

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, celebrou o reconhecimento do encontro internacional.

“Com esse passo, a COP30 reconhece, formalmente, que as populaçÔes afrodescendentes sĂŁo as mais afetadas pelas mudanças climĂĄticas”.

No entanto, a ministra reconhece que ainda é preciso avançar na proposição de açÔes concretas.

“É preciso pensar polĂ­ticas climĂĄticas inclusivas, que considerem nĂŁo apenas a realidade dos territĂłrios, mas quem vive em periferias e outros locais desproporcionalmente impactados pelo racismo ambiental“, completou, em nota publicada no site do ministĂ©rio.

PressĂŁo popular

O ministério reconhece que a pressão de movimentos da sociedade civil também foi um elemento que levou ao reconhecimento do protagonismo de afrodescendentes.

O Geledés Instituto da Mulher Negra, uma organização da sociedade civil, foi um dos atores que participaram das articulaçÔes.

A ONG celebra a inclusão e parabeniza os negociadores brasileiros. O instituto classifica o feito como um “avanço” na política climática internacional.

“As populaçÔes afrodescendentes na diĂĄspora global estĂŁo entre as mais impactadas pela crise climĂĄtica e, ao mesmo tempo, figuram como protagonistas de soluçÔes, saberes e prĂĄticas de resiliĂȘncia em seus territĂłrios”, justifica.

Na avaliação do Geledés, o reconhecimento não se trata de um gesto simbólico.

“Abre caminho para políticas climáticas mais justas, eficazes e enraizadas nas realidades dos territórios historicamente afetados por desigualdades estruturais”, afirma em nota.

“Esse resultado nos dĂĄ a possibilidade de cobrar polĂ­ticas pĂșblicas de adaptação que priorizem quem de fato estĂĄ mais vulnerabilizado pelos efeitos das mudanças climĂĄticas e necessita de recursos e capacidades institucionais agora”, completa.

InĂ­cio na COP16

A inclusão de afrodescendentes é um passo seguinte ao encontro da Convenção sobre Diversidade Biológica das NaçÔes Unidas (COP16), que ocorreu hå um ano em Cali, na ColÎmbia.

Em decisĂŁo tambĂ©m inĂ©dita Ă  Ă©poca, a conferĂȘncia reconheceu a participação de povos indĂ­genas, quilombolas e comunidades em temas ligados a preservação da natureza.

 

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