Embates marcam julgamento dos “kids pretos” e levam STF a suspender sessão

Por Portal Leo Dias 12/11/2025

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu, nesta quarta-feira (12/11), o julgamento dos 10 militares conhecidos como “kids pretos”, apontados pela Procuradoria-Geral da RepĂșblica (PGR) como parte de uma organização criminosa que pretendia manter Jair Bolsonaro no poder e eliminar autoridades, entre elas o presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes. O caso faz parte do chamado “nĂșcleo 3” da investigação sobre a tentativa de golpe apĂłs as eleiçÔes de 2022.

O julgamento serĂĄ retomado na prĂłxima terça-feira (18/11), quando os ministros apresentarĂŁo seus votos sobre a culpa ou absolvição dos rĂ©us. O relator, Alexandre de Moraes, serĂĄ o primeiro a votar, seguido por Cristiano Zanin, CĂĄrmen LĂșcia e FlĂĄvio Dino, que preside o colegiado.

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Reprodução: YouTube/TV Justiça
Advogado Jeffrey Chiquini é o defensor do tenente-coronel Rodrigo Bezerra de AzevedoReprodução: YouTube/TV Justiça
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Para sustentar a tese, o advogado apresentou fotos pessoais do militarReprodução: YouTube/TV Justiça
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Advogado Igor Vasconcelos, responsåvel pela defesa do tenente-coronel Sérgio Ricardo CavaliereReprodução: YouTube/TV Justiça
Divulgação: Exército Brasileiro
“Kids pretos” Ă© um grupo militar alvo de investigaçÔes da PF por tentativa de assassinato a lĂ­deres polĂ­ticos e ministrosDivulgação: ExĂ©rcito Brasileiro
 Foto: Ton Molina/STF
Jair Bolsonaro (PL) Foto: Ton Molina/STF

Durante as sustentaçÔes orais na manhĂŁ desta quarta-feira (12/11), as defesas rejeitaram as acusaçÔes da PGR e sustentaram que os rĂ©us nĂŁo participaram da elaboração nem da execução de qualquer plano violento. O advogado Jeffrey Chiquini, defensor do tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo, argumentou que seu cliente nĂŁo compareceu Ă s reuniĂ”es do grupo e, portanto, nĂŁo poderia ter papel de liderança. Para sustentar a tese, o advogado apresentou fotos pessoais do militar, tentando comprovar que ele estava em GoiĂąnia no dia em que o suposto monitoramento de Moraes teria ocorrido. O ministro rebateu o argumento e questionou a ausĂȘncia de registros do dia exato do aniversĂĄrio do rĂ©u, data citada pela denĂșncia.

As trocas de farpas entre advogados e ministros marcaram o segundo dia de julgamento. ApĂłs crĂ­ticas Ă s investigaçÔes e ao MinistĂ©rio PĂșblico, FlĂĄvio Dino interveio e cobrou “respeito e serenidade” aos representantes da defesa. “O tribunal tem sido, ao longo desses mais de 100 anos de RepĂșblica, extremamente leal com a advocacia brasileira; portanto, reivindicamos idĂȘntico tratamento, nĂŁo sĂł nesta tribuna como fora dela”, afirmou o ministro.

Entre os momentos que mais chamaram atenção, o advogado Igor Vasconcelos, responsĂĄvel pela defesa do tenente-coronel SĂ©rgio Ricardo Cavaliere, fez uma analogia com a obra O Senhor dos AnĂ©is, de J. R. R. Tolkien. Ele citou um trecho de As Duas Torres para defender que deve haver “coerĂȘncia” entre a acusação e a “realidade dos fatos”. Cavaliere Ă© acusado de espalhar a carta de pressĂŁo ao alto comando do ExĂ©rcito e enfraquecer autoridades militares que resistiam ao golpe. A PGR o inclui entre os responsĂĄveis por difundir desinformação e criar um ambiente favorĂĄvel Ă  ruptura democrĂĄtica.

O grupo dos “kids pretos” Ă© composto majoritariamente por oficiais do ExĂ©rcito e por um agente da PolĂ­cia Federal (PF). Segundo a PGR, eles planejavam açÔes armadas, sequestros e assassinatos de autoridades. Entre os nomes estĂŁo: Bernardo CorrĂȘa Netto, Estevam Theophilo, FabrĂ­cio Bastos, HĂ©lio Ferreira Lima, MĂĄrcio Nunes, Rafael Martins, Rodrigo Azevedo, Ronald Ferreira, SĂ©rgio Cavaliere e Wladimir Soares.

Todos respondem pelos crimes de golpe de Estado, abolição violenta do Estado DemocrĂĄtico de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimĂŽnio pĂșblico. A exceção Ă© Ronald Ferreira, para quem a PGR pediu punição mais branda por incitação ao crime.

Com as sustentaçÔes orais encerradas, os ministros devem começar a votar na terça-feira (18/11). Caso a maioria opte pela condenação, o STF definirå as penas e o tempo de reclusão de cada acusado. O relator Alexandre de Moraes deverå abrir a sessão com seu voto, seguido pelos demais magistrados. A previsão é de que o julgamento seja concluído ainda no mesmo dia.

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