Estudo reforça que paracetamol não causa autismo, apesar de especulações públicas

Pesquisas apontam que não há evidência científica conclusiva que relacione o uso do medicamento na gravidez ao desenvolvimento de transtornos como TEA ou TDAH

Não há provas de que o uso de paracetamol durante a gravidez cause autismo ou outros transtornos de neurodesenvolvimento, como o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Essa é a principal conclusão de um extenso estudo publicado recentemente na revista científica BMJ, que reacende o debate sobre o uso do analgésico por gestantes.

Pesquisas apontam que não há evidência científica conclusiva que relacione o uso do medicamento na gravidez ao desenvolvimento de transtornos como TEA ou TDAH/Foto: Reprodução

A pesquisa analisou dados de milhares de crianças e cruzou informações com o histórico de uso do medicamento por suas mães durante a gestação. Os autores foram categóricos: os dados disponíveis são insuficientes para estabelecer uma relação de causa entre o paracetamol e o desenvolvimento de transtornos como o autismo. Isso desmonta alegações anteriores, inclusive de figuras públicas como o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sugeriu — sem apresentar provas — que o remédio estaria ligado ao aumento de casos de TEA.

Outros estudos recentes, como os conduzidos por universidades como Yale, até observaram associações estatísticas em certos contextos, principalmente com uso frequente ou prolongado do medicamento. No entanto, quando os pesquisadores ajustaram os dados para fatores como genética e ambiente familiar — por exemplo, comparando irmãos em que um foi exposto ao remédio e o outro não — a associação desapareceu.

Segundo especialistas, esses resultados mostram que, apesar de algumas correlações observadas em estudos populacionais, não se pode afirmar que o paracetamol seja responsável pelo surgimento desses transtornos. Além disso, a Organização Mundial da Saúde e agências reguladoras como a britânica MHRA continuam a recomendar o medicamento como a opção mais segura para o alívio de dor e febre em gestantes, desde que usado com responsabilidade.

“Tomar paracetamol durante a gravidez, nas doses indicadas, continua sendo seguro. Não há base científica para afirmar que ele cause autismo”, destacou um comunicado da MHRA, publicado em setembro de 2025.

O paracetamol, também conhecido pelo nome comercial Tylenol, é amplamente utilizado por grávidas devido à sua eficácia e menor risco de efeitos adversos, em comparação com anti-inflamatórios como a aspirina ou o ibuprofeno, que podem ser prejudiciais ao feto.

Assim, a recomendação médica permanece: o paracetamol pode ser usado durante a gravidez, desde que com orientação profissional e pelo menor tempo possível. Afinal, febres altas ou dores intensas também representam riscos à saúde da mãe e do bebê.

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