Ex-prefeita Ć© condenada por desviar verba de hospital na pandemia

Por: Metrópoles Publicado: 27/11/2025

A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de GoiÔs (TJGO) manteve a condenação da ex-prefeita de Planaltina de GoiÔs (GO) Maria Aparecida dos Santos, a Dona Cida (foto em destaque). Ela é acusada de atuar em uma fraude que mudou a gestão de um hospital e uma unidade de pronto-atendimento do município goiano em 2020, durante a pandemia de Covid-19.

Em junho de 2020, o Fundo Municipal de Saúde de Planaltina de GoiÔs abriu chamamento público para contratar, de maneira emergencial, uma organização social para gerir o Hospital Municipal Santa Rita de CÔssia e a Unidade de Pronto-Atendimento 24 Horas.

Dona Cida, então, teria beneficiado uma empresa específica, a Associação da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Pacaembu, de São Paulo (SP). A ex-prefeita nomeou a instituição apenas três dias depois da abertura do chamamento público. A contratação foi fixada em R$ 18,1 milhões.

Para o relator do caso, o juiz Oscar SĆ” Neto, a conduta nĆ£o foi ā€œmero erro administrativoā€.

ā€œO que houve aqui foi prazo de trĆŖs dias incluindo fim de semana, ou seja, só um dia Ćŗtil, calculado cirurgicamente para impossibilitar participaçãoā€, pontuou. ā€œE a maior prova disso foi a limitação da forma de entrega das propostas, de modo presencial, no balcĆ£o do Setor de Compras da Prefeitura Municipal, claramente visando eliminar candidatos de outras regiƵes, sem representantes para ir ao local no tempo previstoā€.

O magistrado levou em conta, ainda, a tese da defesa de Maria Aparecida, que mencionou o perĆ­odo de calamidade pĆŗblica vivido na pandemia como justificativa para a contratação. ā€œReconheƧo a gravidade da pandemia e o sofrimento que causou. Exatamente por isso, considero ainda mais grave o crime que permitiu o desvio de recursos da saĆŗde neste momento, ainda que a pretexto de melhorĆ”-laā€, pontuou o juiz.

Demissão em massa e mortes evitÔveis

ƀ Ć©poca da contratação, a medida chamou atenção do MinistĆ©rio PĆŗblico de GoiĆ”s (MPGO). Segundo o órgĆ£o, testemunhas disseram que 170 servidores foram demitidos de imediato, sem aviso prĆ©vio, após a contratação da Santa Casa de Misericórdia de Pacaembu. Esses funcionĆ”rios afirmam que pessoas da associação jĆ” circulavam pelos arredores da unidade de saĆŗde antes mesmo da mudanƧa de gestĆ£o.

Para o MP, houve ausência de edital e termo de referência, inexistência de lei municipal regulamentando organizações sociais, falta de qualificação da entidade contratada, indícios de prévio ajustamento e até a circulação de representantes da associação no hospital antes do chamamento público.

Como dito anteriormente, a Santa Casa ganhou R$ 18,1 milhões com a contratação e, segundo apuração do MP, uma concorrente chegou a enviar proposta de R$ 9,4 milhões, isto é, quase a metade do valor gasto pela Prefeitura de Planaltina de GoiÔs.

Para o TJGO, o prejuĆ­zo ā€œtranscende o valor monetĆ”rioā€ e pode ter acarretado em nĆŗmero elevado de mortes. ā€œEm municĆ­pio pequeno como Planaltina, com 90.316 habitantes em 2020, e hospital Ćŗnico, esse desvio pode ter causado mortes evitĆ”veis.ā€

Maria Aparecida dos Santos teve a pena mantida em 3 anos e 6 meses de detenção e 11 dias-multa. Amélia dos Santos Ramos, representante da Santa Casa de Misericórdia de Pacaembu, também foi condenada. A pena dela foi fixada a 4 anos e 1 mês e 12 dias-multa. Ambas foram condenadas a cumprir a pena em regime inicial aberto.

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Outro lado

O Metrópoles fez contato com Maria Aparecida dos Santos e aguarda retorno. A defesa de Amélia dos Santos Ramos não foi localizada até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto.

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