Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DF

Por Metrópoles 13/11/2025

Nessa quarta-feira (12/11), o Museu Nacional da República foi palco do lançamento da exposição Bancos Indígenas do Brasil – Rituais, realizado pela coleção BEĨ. Com curadoria de Marisa Moreira Salles, Tomas Alvim e Danilo Garcia e o envolvimento de artistas e lideranças indígenas, a mostra traz a Brasília um acervo histórico e simbólico de cerca de 500 bancos indígenas que expressam mais de 4 mil anos de conhecimento, espiritualidade e tradição dos povos originários.

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O evento de abertura reuniu não apenas entusiastas da arte e cultura, como também artistas e lideranças indígenas de diferentes regiões do Brasil, em um encontro que reforçou o protagonismo das culturas ancestrais na construção da identidade brasileira.

Veja os highlights da inauguração da exposição Bancos Indígenas do Brasil – Rituais:

A exposição gratuíta ocupa outros dois espaços de Brasília, o Memorial dos Povos Indígenas e o Itamaraty, que apresenta bancos de 51 etnias, parte de uma coleção composta por mais de 1.400 peças. As obras, feitas em madeira, esculpidas com traços zoomórficos e grafismos simbólicos, unem funcionalidade, estética e espiritualidade.

“Fazer um banco é tão importante quanto usá-lo”, destacou a curadora Marisa Moreira Salles, explicando que a beleza está na conexão com o sagrado.

Exposição Bancos Indígenas do Brasil – Rituais está em cartaz no Museu Nacional da República

Para o professor Eliel Benites, integrante do Departamento de Línguas e Memória do Ministério dos Povos Indígenas, a ideia de um banco indígena representa mais do que a função de sentar, e sim um ato simbólico. “Representa o equilíbrio do corpo com o território e a reconexão com o sagrado”, pontuou.

Benites também explica que os grafismos entalhados nas peças funcionam como linguagem espiritual. “Cada traço tem um símbolo. Nos bancos Guarani, as ondulações representam o caminho dos espíritos no cosmos. Esses sinais atraem a espiritualidade para junto da aldeia — quando ela se aproxima, coisas boas acontecem.”

Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFExposição Bancos Indígenas do Brasil — Rituais
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFA mostra apresenta bancos de 51 etnias, parte de uma coleção composta por mais de 1.400 peças

Além dos desenhos, os formatos zoomórficos têm papel fundamental. A onça, tamanduá, anta e jacaré, por exemplo, representam entidades do mundo espiritual, segundo as cosmologias indígenas. “Cada animal expressa uma dimensão superior. Os bancos são extensões do mundo espiritual”, completa.

Para o curador Tomas Alvim, o mais importante em compartilhar o acervo com a capital federal está em promover o reencontro do público com sua própria ancestralidade. “Esses bancos falam de uma estética que preserva a floresta, que revela uma sabedoria profunda sobre o mundo. Conhecer isso é uma forma de fortalecimento cultural”, destaca.

O impacto cultural dos bancos indígenas brasileiros

Durante a vernissage, a curadora Marisa Moreira Salles revelou à coluna Claudia Meireles os caminhos que levaram a editora BEĨ a iniciar a coleção de bancos indígenas brasileiros. Segundo ela, a relação com os artefatos surgiu de maneira despretenciosa.

“Eu e Tomas Alvim somos editores há mais de 35 anos na editora BEĨ. Coincidentemente, é um nome Tupi. Nós estavamos desenvolvendo uma coleção de guias pelo Brasil, com destaque para objetos inusitados e um dos nossos jornalistas encontraram um banco indígena. A gente se apaixonou pela estética e começamos a ir atrás de artesanatos indigenas para adquirir mais deles”, comenta Marisa Moreira Salles.

Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFO curador Tomas Alvim em roda de conversa

Com o tempo, o fascínio virou coleção. Quando já haviam reunido cerca de 300 peças, Marisa percebeu o potencial de publicar um livro sobre o tema. “Eles eram lindos. Então, nasceu a vontade de compartilhar, já que entendíamos que os brasileiros não reconheciam esses objetos como parte da própria cultura”, reflete.

Durante o processo editorial, os curadores notaram que muitos bancos tinham traços similares, o que levou até a descoberta de seus autores e ao reconhecimento da autoria indígena. “A gente conseguiu distinguir cerca de 70% dos bancos. Tivemos que vasculhar o Brasil todo atrás desses artistas”, afirma.

A coleção BEĨ, formada ao longo de 25 anos, começou pela paixão estética, e logo se transformou em uma missão cultural. “Quando percebemos que existiam autores por trás de cada banco, soubemos que precisávamos reconhecê-los. Não dava mais para falar em arte tribal, e sim em arte indígena com nome, identidade e trajetória”, diz Marisa.

Mostra espalhada por três espaços de cultura da capital federal

Em Brasília, a mostra apresenta mais do que os bancos. Segundo Maria, o público vai poder ver, em primeira mão, as máscaras, redes, ornamentos e peças que ampliam a experiência sensorial do visitante.

Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DF6 imagensA exposição traz também máscaras, redes, ornamentos e peçasRede Animais são representações sagradas Artefato indígenaLanças Fechar modal.Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DF1 de 6

Bancos indígenas

Wey Alves/Metropoles@weyalves2 de 6

A exposição traz também máscaras, redes, ornamentos e peças

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Rede

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Animais são representações sagradas

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Artefato indígena

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Lanças

Wey Alves/Metropoles@weyalves

Segundo Danilo Garcia, um dos curadores da coleção, a exposição presente em três simbolos icônicos da capital federal foi desenhada para dialogar com a arquitetura de cada lugar. No Itamaraty, os bancos ocupam o hall modernista em harmonia com os traços do edifício.

No Memorial dos Povos Indígenas, grafismos da artista Dayara Tucano foram projetados nas paredes e no chão, criando um ambiente imersivo. “Ali, o visitante vê sua pele refletida em vermelho, cor ritualística que envolve o corpo na exposição”, comenta Danilo.

Já o Museu Nacional da República recebeu nove rituais diferentes representados por bancos. Entre eles, o Kuarup, uma cerimônia de despedida dos mortos, dos povos do Xingu, e o Rito Rocan, dos Karajá, que marca a passagem da infância para a vida adulta.

A diretora do Museu Nacional da República, Fátima Medeiros, celebrou a abertura como uma experiência de descoberta. “A exposição permite que o público de Brasília se aproxime da riqueza artesanal e espiritual dos povos originários. É uma imersão em uma produção cultural que antes não tinhamos tanto conhecimento. Está em um lugar central e dá oportunidade que muitas pessoas aprendam sobre a arte”, comenta.

Confira quem esteve presente no coquetel de inauguração, pelo olhar de Wey Alves:

Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFEmbaixatriz da França, Géraldina Lenain; Marisa Salles e Claudia Estrela
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFRaphael Santana, Lázara Carvalho, Leo Racy, Tomas Alvim e Daniel Maranhão
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFSanagê
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFMarisa Salles e Claudia Meireles
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFKrumare Karajá, Rafael Andrade, Sokrowe Karajá e Jhonny Kobayashi
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFGabi Mehinako, Ariane Mehinako, Ana Kamayura e Simone Aweti
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFDaniel Maranhão e Eliel Benites
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFSergio Leo e Sara Seilert
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFThiago Abreu e Juliana Maceno
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFSokrowe Karajá
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFMorena Reis, Fátima Medeiros, Claudia Meireles e Sara Seilert
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFLua Kixeló, Alexandre Barata e Adele De Fé
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFGabriel Jara, Marcelo Gomes, Marisa Salles, Leo Racy e Sylvio Rocha
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFClaudia Meireles e Ricardo Froes
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFCecília Piva e Luara Presotti
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFLeo Racy e Daniel Maranhão
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFRodrigo Bragança de Queiroz e Isabella Bragança de Queiroz
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFEdglenia Lopes, João Flor de Maio, Marcia Lousada e Elisa Carvalho
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFLulu, Thoyane e Ana Kamayurá
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFTeue Kalapalo, Yakalo Kalapalo, Wayukuma Kalapalo Naruvuto e Yawapi Kamayurá
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFClaudia Meireles
Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DFDanielo Garcia e Ana Paula Guerra

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