Exposição em SP propĂ”e diĂĄlogos sobre gĂȘnero, sexualidade e natureza

Por AgĂȘncia Brasil 14/11/2025

O Museu da Diversidade Sexual abriu ao pĂșblico, nesta sexta-feira (14), uma exposição que propĂ”e uma reflexĂŁo sobre gĂȘnero, sexualidade e o relacionamento com a natureza.  A mostra Tybyras: Caminhos de uma AmazĂŽnia Queer, do artista visual Henrique Montagne, apresenta desenhos e fotografias que representam a identidade queer entre o povo TupinambĂĄ, da AmazĂŽnia paraense.Exposição em SP propĂ”e diĂĄlogos sobre gĂȘnero, sexualidade e naturezaExposição em SP propĂ”e diĂĄlogos sobre gĂȘnero, sexualidade e natureza

Segundo Montagne, hĂĄ um vazio de documentação sobre o assunto, o que gera um apagamento acerca das relaçÔes de gĂȘnero e sexualidade dos povos originĂĄrios. Assim, a mostra propĂ”e reconstruir um passado silenciado pela colonização, ao utilizar a imaginação dos desenhos e ao contar histĂłrias de pessoas indĂ­genas reais, atravĂ©s das fotografias.

A exposição também visa mostrar que natureza, corpo e identidade se entrelaçam.

“O colonialismo colocou a gente, como humano, num lugar e a natureza em outro. Se a natureza estĂĄ distante de mim, eu posso explorar ela, eu posso tirar tudo dela ao meu bel favor, nĂ©? EntĂŁo, na verdade nĂłs somos uma coisa sĂł. Se eu estou explorando ela, estou me explorando,” explica Montagne.

Processo de recriação

A ideia da exposição nasceu com a histĂłria de Tibira do MaranhĂŁo, o primeiro indĂ­gena TupinambĂĄ assassinado por expressar uma identidade de gĂȘnero e sexualidade nĂŁo normativa. “Tibira” nĂŁo era seu nome, mas um termo usado entre os povos indĂ­genas da costa brasileira para classificar pessoas que fugiam Ă  normatividade.

A falta de documentação sobre o caso impossibilita descrever com precisĂŁo a identidade de Tibira. Por essa razĂŁo, Montagne utiliza o termo “queer”, que Ă© “amplo, capaz de abraçar todas as sexualidades”, disse.

A partir desta histĂłria, o artista visual foi atrĂĄs de evidenciar a vivĂȘncia de indĂ­genas TupinambĂĄ queer. Antes de fotografar esses indivĂ­duos, Henrique teve de conhecĂȘ-los para se tornarem amigos.

“Para esse trabalho, eu nĂŁo tinha outra forma a nĂŁo ser virar amigo dessas pessoas, porque vocĂȘ precisa ter cuidado. Por muito tempo a arte foi usada para demonstrar pessoas minorizadas como exĂłticas”, disse.

Para Montagne, foi importante representar os corpos LGBTQ+ em um lugar “superior, uma posição de felicidade, que Ă© algo que infelizmente dentro da cultura, da mĂ­dia. A gente Ă© colocado muito nesse lugar de sempre sofrer ou de nĂŁo ter finais felizes”.

A exposição estĂĄ na Estação RepĂșblica do MetrĂŽ de SĂŁo Paulo e Ă© gratuita, mas Ă© necessĂĄrio pegar o ingresso disponĂ­vel na plataforma Sympla e na bilheteria local.

 *Estagiårio da EBC sob supervisão de Odair Braz Junior

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