O futebol iraquiano vive um momento simbólico. Nesta quinta-feira (13/11), a seleção entra em campo para enfrentar os Emirados Árabes Unidos na repescagem das Eliminatórias Asiáticas da Copa do Mundo. A vaga significaria o retorno ao Mundial após quase quatro décadas — a única participação do país foi em 1986.
Ao longo de dois confrontos — o segundo marcado para terça-feira (18/11) — o Iraque tenta coroar não apenas um ciclo esportivo, mas também um longo processo de reconstrução nacional. Após anos marcados por guerras, invasões e instabilidade interna, o país começa a respirar um ambiente político menos turbulento, permitindo maior foco no esporte e em projetos de desenvolvimento.
Chung Sung-Jun/Getty Images
Durante as últimas décadas, o Iraque foi palco de conflitos que afetaram profundamente sua organização social e esportiva. Desde a invasão ao Kuwait, em 1990, até a Guerra ao Terror — iniciada em 2003 e encerrada oficialmente em 2011 — o país viveu momentos de extrema tensão. A saída das tropas norte-americanas, ordenada pelo governo de Barack Obama, abriu caminho para um período de maior estabilidade, ainda que desafios internos, como a presença do grupo Estado Islâmico, tenham persistido por anos.
No futebol, o desempenho recente demonstra evolução. Na segunda fase das Eliminatórias, o Iraque terminou como líder invicto do Grupo F, com seis vitórias em seis jogos. Já na terceira fase, enfrentou adversários mais fortes e acabou em terceiro lugar, atrás da Coreia do Sul e da Jordânia. Na quarta etapa, a disputa direta pela vaga esbarrou na força da Arábia Saudita, que ficou com o topo da chave.
Atualmente, oito seleções asiáticas já estão classificadas para o Mundial: Irã, Uzbequistão, Coreia do Sul, Jordânia, Japão, Austrália, Catar e Arábia Saudita. Para se juntar a elas, o Iraque precisa vencer os Emirados na soma dos dois jogos.
Caso consiga a classificação, a missão será superar o desempenho de sua estreia no torneio, em 1986, quando perdeu todas as partidas e caiu ainda na fase de grupos, atrás de México, Paraguai e Bélgica. A sequência de conflitos iniciada em 1990 interrompeu qualquer possibilidade de continuidade daquele ciclo esportivo.
Agora, com um cenário interno mais estável, a seleção iraquiana busca escrever um novo capítulo para o país — dentro e fora de campo. Um retorno ao Mundial seria mais do que uma conquista esportiva: seria um símbolo de renascimento.
Fonte: Metrópoles
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