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Ligação vazada revela bastidores e conselho para Putin elogiar Trump

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Ligação vazada revela bastidores e conselho para Putin elogiar Trump

A divulgação, nesta quarta-feira (26/11), da transcrição de uma ligação entre Steve Witkoff (na imagem em destaque), enviado especial de Donald Trump, e Yuri Ushakov, principal assessor de política externa da Rússia, desencadeou uma onda de críticas e preocupações em Washington.

O conteúdo, revelado pela Bloomberg, mostra que o negociador norte-americano orientou Moscou sobre como conduzir conversas estratégicas com Trump em meio às tratativas para um plano de paz para a Ucrânia. Um dos conselhos sugere que Vladimir Putin deveria elogiar Trump pelo cessar-fogo em Gaza, mediado pelo republicano.

Dois dias depois, o Trump anunciou um telefonema com Putin, que o Kremlin descreveu como “franca e produtiva”. Durante a conversa, o líder do Kremlin conseguiu convencer o republicano — que se encontraria com Volodymyr Zelensky no dia seguinte — a adotar uma postura cautelosa diante do envio de mísseis Tomahawk a Ucrânia.

A ligação durou duas horas e meia e precedeu o encontro tenso entre Trump e o líder ucraniano, marcado pela insistência do presidente norte-americano para que Kiev aceitasse concessões territoriais.

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Efeito sobre o plano de paz

As orientações de Witkoff contribuíram para a elaboração de uma proposta americana de 28 pontos, que inclui concessões significativas à Rússia — como cessão de territórios e a renúncia da Ucrânia à entrada na Otan.

A estrutura do plano, porém, foi alterada após rodadas diplomáticas em Genebra e Abu Dhabi, descritas pelo secretário de Estado Marco Rubio como “dinâmicas” e ainda em evolução.

Witkoff também sugeriu, no telefonema, que a negociação fosse moldada nos esforços recentes de Trump para encerrar a guerra em Gaza, mencionando a criação de um documento de “20 pontos”, que depois se expandiu para a versão atual.

O caso provocou forte desconforto entre republicanos que defendem postura rígida contra Moscou. Parlamentares como Don Bacon e Brian Fitzpatrick afirmaram que Witkoff estaria sob forte influência russa e pediram sua saída do cargo.

Enquanto isso, Ushakov expressou irritação com a quebra de confidencialidade: “Minhas conversas com Witkoff são confidenciais. Ninguém deveria divulgá-las”.

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Enviado especial dos EUA, Steve Witkoff

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Enviado especial dos EUA, Steve Witkoff

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Yuri Ushakov

Contributor/Getty Images

Trump minimiza a polêmica

Questionado sobre o teor da ligação, Trump afirmou que o enviado estava “apenas negociando”, e que aconselhar ambas as partes é parte do processo. O presidente também rejeitou preocupações de que Witkoff possa ter postura “pró-Rússia”, argumentando que a Ucrânia deve buscar um acordo pacífico para evitar uma guerra prolongada.

Trump afirmou que Witkoff deve viajar a Moscou já na próxima semana para prosseguir nas negociações. Ele pode ser acompanhado por Jared Kushner. Paralelamente, o secretário do Exército dos EUA, Dan Driscoll, deve ir a Kiev para conversas com o governo ucraniano.

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