A acreana e ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, participou neste domingo (10) da inauguração de um espaço especial dedicado à luta de Chico Mendes, no Museu Emílio Goeldi, em Belém (PA), na véspera da abertura da COP30.
Marina afirmou que em um ano eleitoral, não é mais possível que candidatos ignorem a crise climática em seus programas/Foto: Comitê Chico Mendes
Na ocasião, a acreana afirmou que, se estivesse vivo, Chico Mendes estaria pressionando governos, empresas e bancos para impedir o avanço da destruição da Amazônia. Ela destacou que zerar o desmatamento não basta se o mundo continuar aumentando as emissões. A fala reforça o papel político e ético do legado de Chico Mendes na COP e na agenda socioambiental global.
“Se continuar aumentando a temperatura da Terra pelo uso de carvão, de petróleo, de gás e do desmatamento, a floresta desaparece. Com certeza, ele [Chico Mendes] estaria cobrando do governo, de negociadores, de empresas, de bancos que façam os maiores e melhores esforços”, disse a ministra.
Mudança climática deve ser prioridade nas eleições
Marina afirmou que em um ano eleitoral, não é mais possível que candidatos ignorem a crise climática em seus programas. Para ela, proteger a vida é um compromisso acima de ideologias. A declaração pressiona pré-candidaturas no Acre e no país a assumirem posição concreta sobre clima e floresta.
“Proteger as condições em que a vida nos é dada não é de esquerda, não é de direita, não é de centro. É um imperativo ético para todas as pessoas que têm compromisso com a vida”, pontuou.
Origem acreana do socioambientalismo
A ministra afirmou que o socioambientalismo nasce no Acre, com Chico Mendes articulando preservação da floresta e dignidade de vida para populações tradicionais. A fala reforça o protagonismo histórico do estado.
“A ideia de socioambientalismo surge no Acre com a luta do Chico Mendes e a defesa das reservas extrativistas. Os movimentos sociais na figura do Chico Mendes inauguram juntar a questão ambiental com a defesa da inclusão social”, acrescentou.
Populações vulneráveis são as mais afetadas pela crise climática
Marina destacou que são as periferias que pagam o maior preço das mudanças climáticas, com enchentes, secas e calor extremo:
“São as pessoas que moram nas periferias que pagam o maior preço da mudança climática. São elas que são atingidas pelas enchentes, pelas secas e pelas ondas de calor”, comentou.
Legado vivo e presença de Angela Mendes
A ministra afirmou que Chico estaria orgulhoso da atuação de Angela Mendes – filha do seringueiro – na continuidade da luta socioambiental:
“Com certeza ele estaria muito orgulhoso de ver a sua filha aqui dando continuidade à sua luta. O legado dele segue vivo nas políticas públicas, na ciência e nas articulações que estão acontecendo”.
Chico Mendes estaria atuando na COP hoje
Marina enfatizou que, vivo, Chico Mendes estaria liderando pressões para manter o limite de aquecimento global abaixo de 1,5°C:
“Mesmo que a gente zere o desmatamento, se não reduzir as emissões, as florestas vão desaparecer. Ele estaria cobrando os maiores e melhores esforços para evitar o aumento da temperatura da Terra acima de 1,5”.
