Marina Silva discursa na Marcha pelo Clima e celebra redução do desmatamento na Amazônia

Ministra destaca protagonismo do Brasil, defende desmatamento zero e celebra democracia na conferência

A COP30 ganhou um tom diferente neste sábado (15), quando a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, subiu em um trio elétrico para fazer um dos discursos mais marcantes da conferência. Em meio ao público que ocupou as ruas, Marina destacou a força da democracia brasileira e o simbolismo de sediar, no sul global, um evento histórico sobre o futuro do planeta.

Falando de forma firme e emocionada, Marina lembrou que a COP30 marca o encontro de diferentes territórios | Foto: Reprodução

“É muito bonito ver a democracia se expressando nas ruas”, afirmou.

Para a ministra, realizar a COP no Brasil após anos em que manifestações eram restritas aos espaços da ONU demonstra a solidez de um país que conquistou e mantém sua democracia para que debates como esse sejam possíveis. “Sejam bem-vindos ao Brasil, um país que luta e protege o direito de se manifestar.”

“A COP das águas e da verdade”

Falando de forma firme e emocionada, Marina lembrou que a COP30 marca o encontro de diferentes territórios: periferias, áreas urbanas, zonas rurais, comunidades ribeirinhas e todos que já enfrentam, na prática, os impactos da crise climática. Ela citou que a Convenção da Biodiversidade nasceu no Brasil há três décadas e agora retorna ao país em um momento decisivo.

Segundo ela, o presidente Lula definiu esta edição como “a COP da verdade e da representação”. E Marina reforçou esse compromisso ao citar o chefe do Executivo: “Temos que fazer o mapa do caminho para a transição e o fim da dependência do carvão, do petróleo e do gás.”

Impactos já sentidos no Brasil

A ministra lembrou que os efeitos da mudança do clima já são sentidos por quem vive nas cidades, por comunidades que enfrentam rios secando e por regiões inteiras devastadas por incêndios. “O fogo tomou conta da planície mais úmida, que é o Pantanal”, disse, reforçando que o mundo precisa reagir com urgência.

Redução do desmatamento, mas com alerta

Marina destacou os números recentes da política ambiental brasileira:

50% de redução do desmatamento na Amazônia,

32% de queda no país,

80% de redução dos incêndios na Amazônia,

90% no Pantanal,

48% no Cerrado.

“Nosso compromisso é o desmatamento zero, é isso que tem que ser.” Mesmo assim, ela afirmou que ainda não é suficiente.

Homenagem aos povos da floresta

Em um momento especial do discurso, Marina dedicou palavras aos povos que protegem os ecossistemas do país. “Aos povos indígenas, aos seringueiros, aos ribeirinhos, às quebradeiras de coco, aos companheiros quilombolas e a todos aqueles que fazem da relação com a natureza um estilo de vida essa luta também é de vocês.”

A ministra encerrou reforçando que a COP30 é o espaço para “marcarmos e desenhamos o mapa do caminho” para um planeta sem combustíveis fósseis, com floresta em pé e com justiça climática para aqueles que mais sofrem os impactos da crise.

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