O médico acreano Paulo Victor Anute Viga, de 26 anos, formou-se pela Universidad Amazónica de Pando (UAP), na Bolívia, e passou por uma verdadeira maratona até conseguir validar seu diploma no Brasil. Após ser reprovado por poucos pontos no Revalida 2025.1, ele entrou com recurso e obteve uma vitória importante: o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) foi obrigado a reconhecer 15,95 pontos que haviam sido desconsiderados na correção da prova prática.
O Revalida — exame que permite a revalidação do diploma de médicos formados no exterior — é composto por duas etapas. Na primeira, uma prova objetiva com 100 questões. Na segunda, uma prova prática com 10 estações de simulação clínica, nas quais o candidato tem 10 minutos para realizar o atendimento completo, da anamnese ao diagnóstico e tratamento.
Formado na Bolívia, Paulo Victor precisou de decisão judicial para garantir reanálise da prova prática e validar o diploma no Brasil/Foto: Cedida
Paulo Victor havia sido aprovado na primeira fase logo na primeira tentativa, em 2024, mas foi reprovado na etapa prática por 2,3 pontos. Determinado, voltou a estudar e fez nova tentativa na edição de 2025.1, aplicada em 19 e 20 de julho. Segundo ele, o desempenho havia sido suficiente para aprovação, mas o resultado preliminar divulgado em setembro apontava uma diferença de 3,05 pontos abaixo da nota mínima.
Desconfiado de falhas na correção, ele pediu acesso aos vídeos das suas estações, revisou as gravações com um especialista e entrou com recurso administrativo, solicitando 19,45 pontos. Como o pedido não foi integralmente atendido, o médico entrou com processo recursal que determinou ao Inep a reanálise da prova. Após o processo , o instituto reconheceu 15,95 pontos — pontuação suficiente para garantir sua aprovação definitiva no exame.
Médico pagou R$ 4.100 pelo exame e agora vai revalidar diploma na UFAC para obter o CRM/Foto: Cedida
Paulo destaca que a experiência foi desgastante. “Pagamos R$ 4.100 para fazer uma prova que deveria ter uma correção técnica e justa. É desanimador perceber que muitos candidatos são prejudicados por erros que só são corrigidos quando recorremos à Justiça”, afirmou.
Agora, o jovem médico se prepara para concluir a revalidação do diploma na Universidade Federal do Acre (UFAC) e, em seguida, obter o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) para atuar oficialmente no estado
